O futebol mundial enfrenta a maior crise de sua história. A turbulência causada pela denúncia de corrupção na Fifa, cujo presidente Joseph Blatter anunciou, na última terça-feira (2), a renúncia ao cargo, após sete membros da entidade terem sido presos na Suíça, entre eles o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, que poderá ser extraditado para os Estados Unidos.
O episódio pode culminar com uma devassa na entidade nacional, trazendo em seu vácuo possíveis consequências às federações estaduais, cujos presidentes há décadas desfrutam de regalias em troca da perpetuação do poder nas mãos de um grupo na entidade maior.Com “modus operandi” semelhantes ao da CBF, as federações estaduais deverão ser investigadas também.
No Pará não deverá ser diferente. Nos últimos anos a entidade e, sobretudo, seu comando, receberam algumas benesses oferecidas pela Confederação em troca da permanência no poder do grupo suspeito, cujas principais cabeças são Ricardo Teixeira, indiciado pela Polícia Federal por cometer os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documentos, Marin e o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, que teria retornado às pressas da Suíça temendo ser engaiolado como Marin.Entre os mimos recebidos pela Federação Paraense de Futebol (FPF) da Fifa, via CBF, figura a ampliação e modernização do Centro Esportivo da Juventude (Ceju), complexo anexo ao Mangueirão.
O valor da obra, gerenciada diretamente por técnicos da entidade mundial, não é revelado, o que o deixa sob suspeição de superfaturamento.As melhorias no local fazem parte, segundo os cartolas, do legado do último Mundial aos 15 estados que não foram contemplados com jogos da Copa do Mundo de 2014. Os agrados da CBF, porém, não ficam por aí. A CBF tem contemplado presidentes de federações com a chefia de delegações em amistosos da seleção e competições no exterior. As viagens, todas elas bancadas pela entidade nacional, exigiam em troca a subserviência dos apadrinhados em eleições e outras decisões importantes na entidade maior.
O atual presidente da FPF, Antônio Carlos Nunes de Lima, como os demais presidentes de federações, foi contemplado com alguns desses agrados. Na última vez em que chefiou uma delegação, Nunes esteve na África do Sul à frente da seleção que disputou a Copa das Confederações de 2013. Na oportunidade, ele fez críticas à segurança do país sede do Mundial de 2010, recebendo um ‘puxão de orelha’ do alto comando da CBF por causa de suas declarações.O presidente, eleitor de primeira ordem de Teixeira, Marin e Del Nero, esteve também na Alemanha e Inglaterra, colecionando outras viagens a convites da CBF para jogos e competições disputadas pela seleção dentro e fora do país.
(Diário do Pará)
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