Um cartaz pendurado em uma padaria de uma cidade de aproximadamente 150 mil habitantes em 2001 levou a vida de uma estudante para o alto escalão da arbitragem Mundial. Catorze anos depois, Janette Arcanjo, 33, vai fazer sua estreia na Copa do Mundo do Canadá.
Ela será uma das auxiliares da árbitra colombiana Yeimy Martinez no duelo entre China e Holanda, marcado para esta quinta-feira (11), em Edmonton, pela 2ª rodada do Grupo A. O trio ainda terá a boliviana Liliana Bejarano.
"Ser convocada para um Mundial é o ápice da carreira de qualquer profissional da arbitragem e agora trabalhar em uma partida de Copa do Mundo é algo que sempre sonhei. Será o jogo mais importante da minha vida", disse Janette em entrevista à reportagem.
O cartaz que mudou a vida de Janette era para um curso de árbitros de uma liga amadora de Ipatinga e foi visto por sua mãe. Na época, a hoje assistente aguardava a divulgação do resultado do vestibular para o curso de direito -não foi aprovada.
Um ano depois, fez o curso da Federação Mineira de Futebol (FMF). Em 2004, ingressou no quadro de árbitros da CBF e apitou sua primeira partida da Série A do Brasileiro em 2009. Há três anos, passou a fazer parte do quadro da Fifa.
Natural de Ipatinga, cidade do interior de Minas Gerais, a assistente ministra aulas de Português em uma escola particular de Belo Horizonte. Ela é formada em Letras (português e espanhol) pela UFMG.
"Temos que ter outras funções paralelas, já que é impossível viver só da arbitragem", disse Janette, que defende a profissionalização da arbitragem no país. De acordo com ela, árbitros e assistentes se "privam muito da vida".
"Requer muita dedicação. Temos que seguir uma planilha de treinamentos e estar sempre aprimorando a parte técnica, física e mental. É uma situação de extrema pressão que vivemos", acrescentou a mineira, que procura rever os jogos em que atua para analisar os lances.
Com a realização do sonho de ser escalada em uma partida do Mundial, Janette tem agora outro objetivo: trabalhar nas fases decisivas ou até na decisão. Para atingir a meta terá que torcer contra a seleção brasileira e os países sul-americanos que estão na competição.
"Estou torcendo pra mim. Quero chegar à final", completou a assistente, que também espera ser convocada para trabalhar na Rio-2016.
(Folhapress)
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