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ESPORTE BRASIL

Em Belém, Romerito falas das conquistas com o Flu

Julio César Romero Insfrán é uma verdadeira lenda do futebol. Surpreendeu o mundo em 1979, aos 19 anos, quando foi artilheiro do Mundial sub-20 em que a Argentina lançou Diego Maradona e o Uruguai apresentou Rubén Paz. Poucos meses depois, um gol seu pelo

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Julio César Romero Insfrán é uma verdadeira lenda do futebol. Surpreendeu o mundo em 1979, aos 19 anos, quando foi artilheiro do Mundial sub-20 em que a Argentina lançou Diego Maradona e o Uruguai apresentou Rubén Paz. Poucos meses depois, um gol seu pelo Paraguai eliminou a seleção brasileira, em pleno Maracanã, da Copa América. Na decisão, Romerito marcou dois gols na vitória por 3 a 0 sobre o Chile, que deu à Seleção Guarany seu segundo título sul-americano.

Mas a lembrança do futebol brasileiro do ex-meia-atacante paraguaio seria positiva mais tarde. Com as cores do Fluminense entre 1984 e 89, conduziu o time do Casal 20, dupla formada por Washington e Assis, ao tricampeonato carioca (1983, 84 e 85) e ao título do Campeonato Brasileiro de 84.

Mesmo quando não conquistava títulos, o Fluminense de Romerito era sempre um time temido e respeitado pelos rivais Flamengo, de Zico, Vasco, de Dinamite, e Botafogo, de Maurício.

Durante a última passagem do Fluminense por Belém, onde eliminou o Paysandu das oitavas de final da Copa do Brasil, Romerito, pela primeira vez, visitou a capital paraense, acompanhando o projeto “Tricolores Por Toda Terra”. A reportagem do BOLA passou por lá para bater um papo com o ídolo paraguaio.

Jader Paes/Diário do ParáTorcida teve um contato próximo com o velho ídolo. (Jader Paes/Diário do Pará)

CONTATO COM A TORCIDA
“É uma coisa maravilhosa poder vir a Belém do Pará e participar desse encontro com torcedores do Fluminense, porque eles conhecem mais a história do clube e se aproximam de ídolos que, às vezes, não chegaram a ver jogar. Quando éramos jogadores, nós já sentíamos que a torcida do Flu era imensa. Onde quer que jogássemos, sempre havia torcedores, mas nem sempre tínhamos condições de visitar o público de regiões mais afastadas. Hoje o futebol de másters tem crescido, o Flamengo tem trabalhado mais à frente, mas nós esperamos poder organizar alguns jogos para os torcedores dessas regiões”.

OS DIAS DE FLUMINENSE
“O Fluminense foi o clube onde tive a felicidade de ser campeão de praticamente tudo que disputei. Ganhamos o carinho da torcida e o clube terá sempre o meu carinho. Ganhamos o tricampeonato carioca, em 85, e o Campeonato Brasileiro, em 84. Infelizmente, as mudanças políticas acabaram enfraquecendo o Flu, mas isso a partir dos anos 90. Eu joguei no clube até 89 e disputamos duas semifinais de Brasileiro, além de cinco torneios internacionais. O time estava sempre brigando por títulos. Só tivemos o azar de não nos prepararmos bem para disputar a Libertadores, mas naquela época era uma competição que não era tratada como prioridade no Brasil. Isso só mudou depois que o São Paulo foi campeão”.

DEPOIS DO FLU
“O Fluminense me negociou com o Barcelona da Espanha, em 89, e eu passei seis meses no clube. Depois, me transferi para New York Cosmos e Puebla, do México, onde fui campeão, e nos anos 90 retornei para o futebol paraguaio, onde fui campeão em vários times, como o Olimpia. Infelizmente só não consegui ser campeão no meu time do coração, que é o Sportivo Luqueño”.

POLÍTICA
“Minha passagem pela política tem sido muito boa. Na realidade, ainda não terminou, temos feito muitas coisas lá. Fui eleito vereador pelo partido Colorado, na cidade de Luque. Tivemos uma boa aprovação com nosso trabalho e tenho trabalhado pelo país. Atualmente eu sou senador suplente do Senado Paraguaio”.

SELEÇÃO PARAGUAIA
“Está mal. Teve um problema de geração que estava disputando as Copas do Mundo. As divisões de base foram esquecidas. O sub-20, sub-17 e sub-15 do Paraguai foram esquecidos, então não houve reposição. Acho que o mesmo deve acontecer com o Uruguai daqui para frente. Depois dessa última Copa, acho que vai ser difícil se classificar de novo”.

DIVISÕES DE BASE
“É a única forma de se trabalhar. Não tem como lutar com o dinheiro, o poder de investimento dos outros centros, então você precisa se renovar sempre. E a formação de jogadores também é o caminho para negociações e o equilíbrio financeiro dos clubes. O Fluminense hoje tem uma divisão de base boa, mas pode melhorar. Ainda falta um pouco de personalidade aos jogadores, mas isso pode se ganhar com o tempo”.

TEMPO CURTO DOS
JOGADORES NOS CLUBES
“Isso é muito ruim. O dinheiro ganhou um tamanho no futebol que não tinha nos meus tempos. Um jogador está jogando aqui agora e, às vezes, menos de seis meses depois já está em outro time onde recebe mais. Fica parecendo que os jogadores só se interessam pelo dinheiro! Que não existe carinho pelos times que defendem. E isso é ruim para o time e para o torcedor, que fica sem a referência, sem o ídolo. O time precisa do ídolo para renovar sua torcida”.

LEMBRANÇAS DO PARÁ
“Eu nunca joguei em Belém. Essa que é uma das minhas tristezas hoje. Joguei no Piauí, joguei no Mato Grosso, mas nunca enfrentei Paysandu e Remo. Mas eu já joguei no Pará uma vez, foi em Santarém. O Fluminense enfrentou a seleção do município”.

EXPERIÊNCIA EM SANTARÉM
“Quente, quente, quente, quente, quente … O que me lembro mais era o calor forte da partida. Mas conseguimos vencer por 2 a 0 e foi ótimo”

(Taion Almeida/Diário do Pará)

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