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Atleta brasileira supera câncer e racismo

Recordista mundial, medalhista paralímpica e medalhista parapan-americana, Roseane dos Santos é hoje, aos 43 anos, uma atleta de alto rendimento bem-sucedida. Mas sua trajetória começou quando um caminhão passou por cima de sua perna aos 18 anos, quando a

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Recordista mundial, medalhista paralímpica e medalhista parapan-americana, Roseane dos Santos é hoje, aos 43 anos, uma atleta de alto rendimento bem-sucedida. Mas sua trajetória começou quando um caminhão passou por cima de sua perna aos 18 anos, quando ainda era empregada doméstica e morava na periferia de Recife.

A alagoana Rosinha, como é conhecida, nem sonhava com o sucesso, muito menos no esporte, no dia em que foi atropelada. A dor era tamanha que a amputação foi inevitável.

"Eu perguntava pra Deus, por quê? A gente já sofre preconceito por ser negro, pobre, mulher, agora deficiente… é muita coisa", disse à BBC Brasil. "Por que tanta coisa em cima de uma pessoa só? Era muito peso pra carregar."

E foi mesmo, nos primeiros anos, quando ela se 'escondeu' em casa para não precisar exibir sua deficiência.

"Eu nem sabia que existia esporte para deficiente. Se eu soubesse, eu poderia até ter procurado antes. Mas eu não saía de casa, passei anos lá porque não queria ouvir as pessoas fazerem perguntas sobre o que aconteceu. Algumas pediam ver como era a amputação e eu não queria passar por isso."

Rosinha Santos em ação pelo Brasil no Parapan: ela foi bronze no arremesso de peso. Foto: Divulgação/CPB

Descobrindo o esporte ao acaso, com um convite de um desconhecido na rua, Rosinha treinou apesar da falta de recursos básicos, como comida, até conquistar dois ouros na Paralimpíada de Sidney em 2000 – no arremesso de peso e no lançamento de discos – e conseguir dar uma casa para sua mãe, um de seus principais objetivos.

Em 2014, depois de medalhas e recordes mundiais conquistados, a descoberta de um câncer na garganta a fez querer abandonar o esporte e quase impediu sua participação no Parapan 2015, em Toronto.

Convocada e recuperada, um ano depois, ela conquistou o bronze na competição, que diz ter sido sua "medalha mais difícil". Agora, a atleta se prepara para sua última Paralimpíada, no Rio, daqui a exatamente um ano.

O maior desafio

Em abril de 2014, ao ser diagnosticada com câncer linfático, a atleta pensou em desistir do esporte. "Na minha cabeça, passou um filme de que eu não estaria aqui por muito tempo, não. Achava que eu ia embora logo."

A técnica, Vanessa Melo, conta que foi difícil motivá-la. "Eu estava junto na hora do diagnóstico. E fazia de tudo pra não chorar perto dela. Não queria que ela me visse triste, eu dizia para ela: você vai passar por isso, já passou por tanta coisa, vai voltar ainda melhor", disse à BBC Brasil.

(DOL, com informações da BBC)

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