OCampeonato Paraense da Segunda Divisão é o segundo mais importante torneio de futebol do Pará, atrás apenas da elite do Parazão. Na teoria. Na prática, o prestígio da “Segundinha” não se compara com o da competição maior.
Com pouca verba disponível, o atraso no repasse do governo à FPF de cotas atrasadas do Parazão quase inviabilizou a disputa. Em campo, a tabela da primeira rodada está esfacelada – um show de forró não permitiu a estreia do Vênus na data que a tabela agendava. Menos mal pro time, que começou sua preparação há apenas três dias. Nem parece um torneio que tem dois campeões brasileiros em campo.
A tradicionalíssima Tuna Luso Brasileira, de 112 anos, 10 títulos paraenses e 2 títulos brasileiros, tentará pelo terceiro ano seguido voltar a disputar a fase principal do Parazão. Como ela, o também tradicional São Raimundo, Pantera Mocorongo, primeiro Campeão Brasileiro da Série D, vai para sua quarta temporada longe da elite (e tendo de observar a ascensão do rival São Francisco no cenário local). Além da dupla, o representante paraense na Série C, Águia de Marabá, também empresta prestígio ao torneio.Mas o cenário geral é de poucos recursos e aposta na base. Tiradentes, Pinheirense, Izabelense, Castanhal e Desportiva entram com times basicamente formados por atletas jovens. O Vila Rica e Vênus – atual campeão – montaram grupos mais experientes, mas o pouco tempo para treinar pesa contra. Já o Gavião Kyikatejê deve voltar a valorizar os atletas indígenas.
UM ESTÁDIO PARA CHAMAR DE LAR
Além de muitos clubes não terem estádios próprios, alguns jogarão longe da torcida por não poder contar com suas praças esportivas. O São Raimundo perdeu seu principal reforço – o apoio da torcida – com o fechamento do Barbalhão para a reforma do gramado. O Bragantino não poderá contar com o apoio da torcida de Bragança – com o estádio José Diogo, o Diogão, sem laudos de uso, o time jogará em Castanhal.Nesse quesito saem em vantagem Tuna (Francisco Vasques), Pinheirense (Abelardo Conduru), Castanhal (Maximino Porpino) e Izabelense (Edilson de Abreu), que mesmo com estádios modestos ou acanhados, terão o fator casa a seu favor. A Desportiva Paraense, sem perspectivas de arrecadar com bilheteria, mandará seus jogos no seu Centro de Treinamento, de portões fechados.
UM POUCO MAIS DE TEMPO
Uma vantagem da competição deste ano em relação a outros, é a tabela mais folgada. A previsão de uma semana de espaço entre uma partida e outra deve propiciar que os treinadores tenham tempo de treinar melhor e amadurecer seus times. “Qualquer um que diga que, a essa altura, está com o time pronto, estará mentindo. A maioria dos times se preparou entre 15 e 20 dias. A qualidade do trabalho deve aparecer entre os jogos, com o tempo maior de treinamento”, comentou o técnico do Vila Rica, time tricampeão da Segundinha, Sérgio Rodrigues.
(Taion Almeida/Diário do Pará)
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