A Assembleia Geral para a eleição do novo vice-presidente da CBF, marcada para a próxima quarta-feira, foi suspensa em caráter liminar pela 2ª Vara Cível da Justiça do Rio. A decisão acatou pedido do presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto Filho, inimigo declarado do presidente licenciado da entidade, Marco Polo Del Nero, que tenta eleger o vice que é seu aliado, Antônio Carlos Nunes, presidente da Federação Paraense.
“A vitória é de todos que não engolem este golpe. Acho que no meio destes papéis da CBF há documentos falsos. Estamos começando a limpar o futebol”, comemorou Delfim.
Desde o início do processo de substituição do ex-vice presidente José Maria Marin, que cumpre prisão domiciliar em Nova York, Delfim tem acusado Del Nero de armar um golpe para evitar que o dirigente catarinense assuma o cargo. Pelo estatuto da CBF, o vice mais velho assume em caso de renúncia do presidente. Delfim tem 74 anos, enquanto Nunes, 77. Del Nero pediu licença ao ser denunciado por corrupção pela Procuradoria Geral dos EUA. O deputado federal Marcos Vicente (PP-ES) é o interino.
Ao justificar a suspensão, o juiz Mauro Cunha Olinto Filho escreveu em seu despacho: “Presumindo-se que seja o (cargo) de José Maria Marin, preso no exterior, haveria erro quanto a isso, já que, em que pese a sua situação particular, não há indicativo de renúncia nem notícia de sua destituição, mediante o rito que prevê o artigo 22, do Estatuto Social, não havendo tecnicamente vacância. No mais, há indícios de irregularidades na forma de convocação (em 4 de dezembro de 2015), feita às pressas por conta do pedido de licença de Del Nero”.
O vice-presidente da CBF para o Nordeste, Gustavo Feijó, riu ao tomar conhecimento da suspensão das eleições. “Isso mostra que estávamos corretos ao querer transparência. A CBF que recorra. Acho pouco provável ganhar. Se o juiz concedeu a liminar, é porque a nossa tese está correta. Não dá para esconder as coisas. Se não publicou a renúncia, cadê a transparência? Vamos aguardar que presidentes das federações e clubes se sentem à mesa para discutir o futebol e pensem no melhor nome, numa saída e no coletivo”, disse Feijó.
O dirigente lidera a rebelião do Nordeste. Antes da decisão da Justiça do Rio ser divulgada, Feijó, com apoio dos oito presidentes da região, já pensava em uma maneira de cancelar a Assembleia. Mesmo que a CBF recorra, Feijó irá formalizar um pedido administrativo de anulação, previsto no estatuto da CBF, como informou o dirigente. A CBF vai recorrer assim que for notificada. “Eles recorrem, eu entro com nova liminar. Vamos continuar assim até o fim”, garantiu Delfim.
O presidente interino Marcos Vicente garantiu a interlocutores ter em mãos uma carta datada do último dia 27 na qual Marin renuncia ao cargo. “Esta carta já foi discutida em conversas com presidentes de federações e de clubes. Então, não há dúvida”, disse Walter Feldman, secretário-geral da CBF, que também cita o estatuto para justificar a vacância do cargo: “Diz que se ocorrer vacância em qualquer cargo de vice, haverá eleição”.
(Diário do Pará, com Agência O Globo)
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