Quem dirigiu Ganso nos últimos anos relata: ele ainda cria expectativa quando a seleção é convocada. E se abate. Ganso e Neymar nasceram quase simultaneamente para o mundo do futebol. Tornaram-se figuras indissociáveis até atingirem patamares bem distintos na carreira. Eis um fator a mais que pode potencializar o abatimento do meia. Muricy diz ter certeza de que Ganso gostaria de estar com Neymar na seleção. “E ele se cuida, não se mete em confusão, balada. Mas tem coisas que não são do alcance do técnico. É difícil entrar na cabeça do ser humano. Quem sabe uma hora vai dar a resposta?”, questiona Muricy.
Ganso chegou à seleção há cinco anos, levado por Mano Menezes para o amistoso de estreia do treinador, contra os EUA, em 2010. Dois anos depois, apostou no meia para os Jogos Olímpicos, apesar das dúvidas em torno do estado físico após as lesões. “Ele não conseguia. Era visível que não tinha capacidade, naquele momento, de jogar no auge”,
diz Mano.
O futebol cadenciado de Ganso tem espaço no futebol de hoje? (Foto: Divulgação)
O ex-técnico da seleção admite que o estilo de Ganso impõe dificuldade para adaptá-lo ao futebol atual. Em paralelo, adverte que o meia não deve ser cobrado por algo que não compõe seu estilo. “Nosso futebol é muito corrido, por vezes corre-se até demais. O setor em que ele joga exige competitividade e o time pode sofrer. Até o torcedor tem dificuldade de entender este tipo de jogador. Não transparece o que se convencionou chamar de vontade, raça. Mas ele tem lugar nos grandes times. É preciso entendê-lo e não pedir o que ele não tem. Não vai pegar a bola, passar por três ou quatro e ir dentro do gol. É o jogador de achar espaço e meter a bola. É o arco, precisa das flechas”, avalia Mano.
O técnico emenda: “Ele depende de uma equipe. Quando teve o Kaká ao lado dele, no São Paulo, foi muito bem. No Santos, teve momentos extraordinários com um time muito bom e características que o ajudavam”.
(Agência O Globo)
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