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O "despertar" de PH Ganso não foi dessa vez!

Talento, visão de jogo, capacidade de decisão através do passe. O mundo do futebol é unânime ao afirmar que Paulo Henrique Ganso reúne tais qualidades, cada vez mais raras no futebol atual. Falta de mobilidade, de competitividade, participações esparsas d

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Talento, visão de jogo, capacidade de decisão através do passe. O mundo do futebol é unânime ao afirmar que Paulo Henrique Ganso reúne tais qualidades, cada vez mais raras no futebol atual. Falta de mobilidade, de competitividade, participações esparsas durante os jogos, assim como são menos frequentes do que o desejável as suas grandes exibições. Eis o outro lado da balança. O fim de 2015 marca o encerramento da sétima temporada de Ganso como um titular habitual dos clubes que já defendeu, primeiro o Santos, depois o São Paulo. Termina mais um ano sem que o meia tenha preenchido a expectativa que gerou em suas primeiras exibições.

Seleção: para Ganso, um sonho inatingível?

Ganso virou um enigma até entre seus ex-técnicos. Atestam que lhe sobra capacidade técnica, ressalvam que as lesões o atrapalharam, mas não são mais um fator limitador e que não se trata de um homem sem ambição. Mas algo ainda separa o potencial da realização. Nas análises, a vilã recorrente é a tal dinâmica. Termo que, em futebol, significa empregar sua técnica cobrindo uma ampla porção de campo, para atacar e defender. Há relatos cheios de nostalgia de jogos em que Ganso fez tudo isso. São o certificado de que o meia é capaz de se aproximar do protótipo do meia contemporâneo. Difícil fazer este jogador ressurgir. A certeza entre os técnicos é de que vale a pena insistir, de tão raras, no mundo atual, que são as virtudes de Ganso.

Muricy Ramalho, que comandou Ganso no Santos campeão da Libertadores de 2011 e no São Paulo, conta que, por onde passa, poucos assuntos despertam tanta curiosidade das pessoas quanto Ganso. Ele lembra a Libertadores de 2011, que o Santos ganharia com um Ganso vivendo o intervalo entre duas sérias lesões de joelho. Para Muricy, o jogo contra o Cerro Porteño, no Paraguai, é a prova definitiva de que Ganso pode competir intensamente.

“Era uma decisão para nós e o Neymar não jogou. Ele praticamente ganhou o jogo sozinho. Não pode ter perdido esta competitividade. Ele mandava no jogo. Com um pouquinho de dinâmica, é brincadeira o que faz. Não pode desistir de um jogador como este. Enxerga coisas que ninguém enxerga”, diz Muricy que, cuidadoso para não parecer propenso a interferir no trabalho de Dunga, exercita a imaginação. “Quem sabe amanhã, ele convocado para a seleção, desperta novamente? É uma ideia”.

Duplo desafio: a tática de jogo e a psicologia

Tese semelhante tem Ney Franco, que dirigiu Ganso na conquista da Copa Sul-Americana de 2012. “Num time entrosado, iria se esbaldar. No Atlético-MG, que vem mantendo base, faria hoje o que Ronaldinho Gaúcho fez em 2013. Ele é jovem. Difícil saber o que se passa na sua cabeça. Se a crítica o joga para baixo, como reage aos elogios”, afirma Ney, dando mais um dado da personalidade do meia. “É introvertido, mas sempre procurou se expressar, falar sobre tática”.
Na parte tática, Ney Franco concorda haver um desafio. “Hoje, as linhas jogam próximas e isso tira o espaço para enfiar a bola. Tentaram trabalhar com ele mais à frente. Mas é jogador para vir de trás, como meia ou segundo volante.”

Técnico de Ganso durante três meses, numa época em que o meia jogou pouco por causa de uma contusão, Adilson Batista é mais rigoroso ao falar da postura de Ganso. “Hoje, os sprints de 20m a 30m aumentaram. Um jogador está dando 50 por jogo, ou mais. Ele dá quatro. Não adianta mudar esquema só para ele. A dinâmica tem que ser melhor. Mas falo como observador, tive pouco tempo com Ganso”, ressalva.

Dorival Júnior, técnico do Santos, discorda da tese. Embora acabe resvalando no tema motivação, não vê em Ganso um obstáculo para a eficiência tática de um time. “Eu gostaria de trabalhar de novo com ele, motivá-lo a fazer o que sempre fez. Pode não ser o jogador veloz, mas é o jogador que dá velocidade. E quebra a velocidade quando entende ser necessário. Acho que o Ganso se questionou muito pelos obstáculos que enfrentou com as lesões. Precisa de tempo”, diz Dorival.

(Carlos Eduardo Mansur/Agência O Globo/Rio de Janeiro)

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