A esgrimista húngara Emese Takács, 38, teve a sua naturalização brasileira suspensa na última quarta-feira (11) e pode ficar dos Jogos Olímpicos do Rio, em agosto.
A informação foi divulgada pelo jornal "O Globo". O nome de Emese, segunda colocada no ranking nacional de espada, está na lista dos convocados pela CBE (Confederação Brasileira de Esgrima) para a Olimpíada. Porém, agora sua presença é incerta.
Como a decisão não é definitiva, pois cabe recurso, a situação da esgrimista está indefinida. À Folha de S.Paulo, tanto o COB (Comitê Olímpico do Brasil) quanto a CBE disseram que ela ainda consta da lista de convocação. O prazo final de inscrição da seleção de esgrima para os Jogos do Rio é 1º de julho.
A húngara, naturalizada brasileira por casamento, tem 20 dias para se defender perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre.
O técnico Giocondo Cabral, autor do processo e treinador da esgrimista brasileira Amanda Simeão (hoje reserva da seleção brasileira), alega que Emese conseguiu a cidadania de forma ilegal. O treinador pleiteia a anulação imediata da portaria de 14 de abril de 2015, do Ministério da Justiça, que concedeu a condição de brasileira à húngara.
Para ele, a húngara teria "arranjado" um casamento com o fotógrafo Rafael de França Barreto, em 2013 -os dois têm endereço no Rio.
Na reportagem, a avó de Barreto diz que nunca conheceu a atleta europeia. Segundo o advogado de Cabral, Thiago Paiva dos Santos, a húngara nem sequer domina o português.
Ao jornal carioca, Emese negou ter pago por casamento e diz que cumpriu todos os pontos exigidos por lei. Ela afirma que planeja morar com o marido após a Olimpíada do Rio.
Atualmente, porém, a esgrimistas vive em Budapeste, onde manteria relacionamento com Attila Szábo -imagens do Facebook que foram anexadas ao processo, segundo "O Globo", mostram a húngara no que seria a comemoração de dois anos de relacionamento com Szábo, no dia 27 de dezembro de 2013. Nesta data ela já estava casada no Brasil (o que ocorreu em 16 de maio do mesmo ano).
Explica-se: a lei brasileira diz que é necessário residência contínua no país por um ano para obter a naturalização caso seja a pessoa casada com um cidadão brasileiro.
No relatório da Polícia Federal, porém, é apontado que Emese esteve no país por apenas 56 dias no período de um ano que precedeu o pedido de naturalização, feito no dia 11 de março de 2015. Até esta data, ela tinha permanecido no país por 183 dias, diz a PF.
Casos de naturalização em que não há casamento com um ou uma brasileira, o tempo mínimo de permanência no país é de quatro anos.
Vice-presidente da CBE, Ricardo Machado disse que a entidade ainda não recebeu comunicado oficial da decisão, mas que cumprirá assim que informada. "Até o momento, não temos nenhuma atitude a tomar."
O esgrima é um dos esportes que sempre trouxe medalhas para o país, em Jogos Pan-Americanos.
(Folhapress)
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