Um projeto idealizado pelo campeão Zezé do Boxe com o objetivo de conscientizar as crianças e adolescentes de que o esporte também pode ser uma forma de inclusão social, vai reunir mais de 20 academias a partir das 9h de hoje, 11, na Praça da República, em Belém. O projeto está no seu terceiro ano e reúne atletas de todos os cantos do estado e até de fora do Pará.
“Eu já não aguentava mais ver no que as crianças das periferias estavam se transformando, e começamos o projeto, com dezenas de academias parceiras, que acolhem e recebem eles para formar futuros campeões olímpicos”, explica Zezé, que vê como maior retorno o desenvolvimento social das crianças. “Estamos criando uma fábrica de campeões e cidadãos de bem. Quando a gente vê o interesse do jovem na prática do esporte ficamos, nós organizadores, realizados”, completa.
As categorias são diversas. O organizar explica que a idade e peso são requisitos essenciais, mas se tiverem dois atletas daquele mesmo peso e idade, os dois podem se enfrentar nas lutas do “Nocaute na violência”. “É importante lembrar que esta criança ou adolescente só entra no projeto se estiver estudando e com as notas boas, além de ter que ter a autorização dos pais”, diz Zezé. O evento terá mais de 20 lutas em diferentes categorias, além de bandas no local.
Os sonhos de um lutador
Quando Gabriel Victor Moraes, 17, começou a fazer boxe aos nove anos de idade, nunca imaginou que pudesse ser um campeão brasileiro. A vontade de subir ao ringue começou porque o único desejo do campeão naquele momento era perder peso, e ele via no boxe a possibilidade de uma vida mais saudável.“Eu estava acima do peso quando criança e queria mesmo era emagrecer, mas aí, com o passar do tempo o meu treinador Charles Anderson viu que eu tinha potencial e resolveu investir em mim”, relembra o atleta, que desde quando começou a participar do projeto realizado por Zezé do Boxe, o ‘Nocaute na Violência, ganhou todas as edições.
Gabriel, que já participou de dezenas de competições regionais e nacionais, é um exemplo para os amigos do bairro onde mora, a Cremação, e também para os amigos da escola. “Já incentivei e vi que deu certo. Muitos amigos poderiam estar hoje no mundo do crime, mas foram conhecer um pouco do boxe. Acredito que eu sou um incentivador porque o esporte tem disso”, ressaltou o atleta que sonha com um futuro melhor para ajudar a família. “Meu foco são as Olimpíadas. Neste próximo Campeonato Brasileiro vou fazer de tudo para me destacar e chamar a atenção da Marinha brasileira, onde eu sei que lá terei todo o incentivo necessário para chegar a uma Olimpíada”, frisou o pugilista..
(Kézia Cravalho/Diário do Pará)
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