Se um dia tiver a oportunidade de conversar com Gustavo Scarpa esqueça tudo o que você sabe sobre a maioria dos jogadores de futebol. Com um perfil diferenciado, o camisa 10 do Fluminense foge do estilo boleiro que tanto se vê hoje em dia. Prova disso é que quando a famosa resenha entre os atletas começa a virar baixaria, o meia não pensa duas vezes e se afasta do grupo.
Isso não impede, porém, que ele seja um dos mais queridos do grupo e um xodó dos mais experientes. Fred, por exemplo, o tratava como um irmão mais novo. Brincadeiras e até mesmo nas broncas, o que gerou um desentendimento com o técnico Levir Culpi, já superado.
"Quando a resenha está de muita baixaria, não gosto e saio de perto. Mas respeito todo mundo. O legal aqui no clube, como em qualquer outro lugar, temos várias opiniões, vários estilos de vida. O importante é todo mundo se respeitar, como ocorre aqui. Eu me sinto bem aqui", disse Gustavo Scarpa à reportagem.
Scarpa não fica em cima do muro até quando o assunto é mais sério. Ele foi a favor do impeachment da ex-presidente Dilma e comentou como vê o Brasil após a posse de Michel Temer.
"Fui a favor e não sei se houve alguma melhora ainda. Temer tem os rolos dele também. Mas tinha que mudar de alguma forma. Se vai melhorar pouco ou não, acho que precisava de uma mudança naquele momento. Se der errado com o Temer, muda também. Não sou a favor dele, mas do que o melhor ocorra para o país", afirmou o jogador que deixa claro que tem apenas sua opinião sobre a situação.
"No assunto de política, não me vejo como um cara estudado. Até porque eu não me aprofundo nas leis. Faço o meu papel que é ser um bom cidadão. Respeito todo mundo. Não me envolvo muito na política. Tenho minha opinião formado pelo pouco que leio e vejo. Tenho meu 'feeling' sobre o que está ocorrendo. Mas em outros assuntos, sim, eu me vejo acima da média. Mas não uso isso como algo para me gabar", completou.
Oriundo de Hortolândia (cerca de 115 km de SP), Gustavo Scarpa mostra ter pés no chão. Mais que isso, agradecido pelo rumo que sua vida tomou. Para ele, o fato de ter uma família presente foi fundamental para que ele soubesse enfrentar a magia do futebol. O camisa 10 do Fluminense não se engana e sabe que o status pode separar algumas armadilhas pelo caminho.
"Eu vivo isso todos os dias. Era um moleque de Hortolândia, que a galera via que eu jogava bem, mas quase ninguém realmente acreditava que pudesse virar jogador. Fico feliz com isso. Sempre sonhei jogar em um grande clube, ser o camisa 10, fazer golaços, chegar a seleção brasileira... Hoje vivendo esse bom momento. Não tem um dia que eu não pare para agradecer a Deus por tudo isso que está acontecendo. Não consigo me acomodar com a situação de ter realizado um sonho de criança", comentou.
"É muita facilidade e pode deslumbrar. Se você estiver errado, você está certo por ser jogador, porque você é o camisa 10. Então tudo que você fala as pessoas dão "ok", todo mundo acha você legal. Tem muitos que acreditam nisso. Eu não consigo acreditar. Sei que sou chato. Quando estou errado, sei que estou errado e pronto. Não é porque sou jogador que estou acima da lei ou de qualquer pessoa. Alguns jogadores não são assim. Acabam se acostumando com atenção, exposição na mídia e pode acabar tendo uma carreira curta", explicou.
(Folhapress)
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