O Pará começou bem sua participação nos Jogos Paralímpicos Escolares, em São Paulo. Uma das modalidades de maior destaque da delegação é o atletismo. A jovem Ana Paula Furtado Moia, que participa de um projeto escolar em Tucuruí, conquistou o bicampeonato no Salto em Distância, na categoria T13, para deficientes visuais. Já o jovem, Karlos Wenícios Smith, levou a prata no arremesso de peso, na categoria F11, e ouro no Salto em distância, na categoria T11, também para deficientes visuais.
Após mais uma importante conquista, a bicampeã estava contente com o resultado e já pensa no futuro. “Eu me sinto muito realizada com mais um ouro. Isso é muito bom. Eu pretendo seguir esta carreira e quem sabe dá certo. Meu professor me puxa muito a orelha, mas tem que puxar e valeu muito a pena. Mais um ouro”, afirmou a atleta paraense.
Há dois anos, o professor Wellington Almeida acompanha Ana Paula. Para ele, todos esses resultados dos atletas paralímpicos são frutos do próprio esforço deles. “Eu vejo que os paralímpicos se interessam mais, porque o esporte é o meio deles estarem inseridos na sociedade e chegarem onde eles desejam. Eu sempre falo para a Ana Paula, que é treino, dedicação e vem os resultados. Eu aposto muito nela para o futuro”, disse.
FUTEBOL DE SETE
A seleção de futebol de 7 do Pará faz hoje a sua última partida na competição. Após duas derrotas, para Mato Grosso do Sul e São Paulo, a equipe paraense venceu por 5 a 0 o estado de Minas Gerais, ontem, e vai disputar o quinto lugar contra Distrito Federal, nesta sexta-feira. O treinamento dos garotos ocorre todo na Tuna Luso Brasileira e já vem dando bons frutos.
Uma das grandes promessas é o capitão do Pará, Aureo Pampolha, de 17 anos. “Eu participo desde 2013 e é muito bom mesmo, porque eles dão um espaço para nós, que não temos por aí. Eu recebo o bolsa-atleta para estudar e jogar, eu faço o que eu gosto. Eu sempre gostei de futebol desde pequeno e foi um bom meio para me socializar”, afirmou o jogador paraense, que carregou a tocha paralímpica em Belém, durante o revezamento.
O treinador Valdir Aguiar conta que o trabalho na Tuna começou há cinco anos. Hoje já são 45 atletas. “A Tuna abriu o espaço para nós, sem cobrar nada. Começamos com o futebol de 7, também temos esgrima em cadeira de rodas, tênis de mesa, natação e em breve terá vôlei sentado. Para nós está sendo satisfatório referente a isso”, explicou.
Valdir conta que fica muito feliz pelo desempenho dos atletas, principalmente, fora de campo. “Teve um atleta nosso que tinha depressão. Vivia dentro de casa. Hoje, ele está conosco, correndo, deixou a mãezinha lá em Belém e a inclusão social com ele está sendo ótima. A gente acompanha eles na escola e a diretora disse que muitos melhoram 80%. Só trabalhamos com que está na escola, se não estiver, vamos atrás para conseguir uma escola. Para nós, esse desenvolvimento deles, é muito gratificante”, encerrou o professor.
NADADOR SONHA ALTO
O Pará também vem mostrando a sua força dentro das águas nas Paralimpíadas Escolares. Um dos grandes responsáveis por isso é o atleta Gabriel Baia, de 17 anos, que já conquistou quatro medalhas nesta edição, sendo três de ouro e uma de prata, na classe S7, para atletas com deficiência física. Com essas, Gabriel já contabiliza oito medalhas somando com as da edição de 2015, sendo que ele ainda disputa os 50 Metros Nado Livre hoje. Com este grande desempenho nos Jogos Escolares, Gabriel já sonha em estar nas Paralimpíadas de Tóquio, em 2020. “Eu vejo que, para o meu futuro, essas medalhas são as primeiras de várias que virão. E eu quero chegar em 2020, se Deus quiser, em Tóquio”, afirmou.
O garoto ressalta que a natação foi fundamental na sua vida e no seu processo de socialização. “Todo mundo é igual, mesmo sendo de lugares diferentes, nós temos que nos comunicar, dar boa sorte e ter essa união. Se eu não fizesse a natação, eu poderia estar em uma cadeira de rodas. A natação me levou a lugares que eu nunca imaginei, como eu estou aqui em São Paulo agora”, encerrou.
(Café Pinheiro/Diário do Pará)
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