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ESPORTE BRASIL

Marcado por gol contra, azulino espera Corinthians

Há gols que garantem vitórias, títulos, empates nos acréscimos, geram polêmicas, provocam sorrisos, lágrimas, revoltas e tantas outras reações quando os torcedores observam a bola ultrapassar a linha da meta de algum time. Alguns gols, no entanto, marcam

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Há gols que garantem vitórias, títulos, empates nos acréscimos, geram polêmicas, provocam sorrisos, lágrimas, revoltas e tantas outras reações quando os torcedores observam a bola ultrapassar a linha da meta de algum time. Alguns gols, no entanto, marcam pelo espanto e pela dor que causam pelo seu caráter insólito e por encerrarem sonhos.

Para a tocida do Clube do Remo, um gol marcado em uma terça-feira de abril há mais de 20 anos ainda ressoa. Não, não se trata de um gol de título ou vitória, mas sim o belo chute do então atacante Castor, no Mangueirão, diante do Corinthians. Gol contra.

Na noite do dia 09 de abril de 1996, Remo e Corinthians duelavam pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil daquele ano. A partida caminhava para o final, com vitória azulina por 1 a 0 e com poucas chances de conclusão das equipes. Em um lance fortuito, a bola sobrou na área azulina e o atacante Castor tentou cortar. O que era pra ser um chute para a linha de meta se tranformou em um voleio fatal contra o gol azulino. 1 a 1, torcedores espantados sem entender o que havia conteceido e Corinthians classificado pelo gol fora de casa (na ida, em Sorocaba-SP), a partida foi 0 a 0.

Veja o lance:

Depois de quase 21 anos, os times podem se reencontrar na competição nacional. Para isso, basta o Remo ao menos empatar com o Brusque-SC na quinta-feira (16). O Corinthians, que perdeu para o Santo André (time onde o meia Eduardo Ramos é titular) no sábado, no Paulistão, se claissificou na Copa do Brasil após vencer a Caldense-GO por apenas 1 a 0.

Por onde anda?

A trajetória do atleta foi destaque no portal UOL, que mostrou a mudança que ocorreu na vida de castor após aquele fatídico lance. De acordo com o portal, em negociação com o Grêmio de Luiz Felipe Scolari, segundo suas palavras, Castor viu a iminente transferência ser descartada. Depois, rodou pelo mundo jogando futebol, aventurou-se na Coreia do Sul e defendeu mais de 15 clubes no Brasil até encerrar a carreira aos 35 anos.

"Tinha 23 anos, era um dos mais jovens do elenco. Sofri muita pressão por ter feito aquele gol contra. Eu estava com tudo certo para ir para o Grêmio. Falaram com o Felipão e o Fábio Koff (ex-presidente do clube gaúcho). Ganharia R$ 9 mil. Tinha acertado tudo, mas infelizmente, com o gol contra, acabei não indo. Entendi a situação e fiquei no Remo", disse Castor, conformado.

O ex-jogador, hoje com 44 anos, ainda mora em Belém e trabalha na área administrativa da Polícia Civil do Pará. Antes, nos primeiros anos após abandonar os gramados, Castor trabalhou no comércio de rações para cachorro e gás de cozinha.

Choro e compreensão

Castor admite que foi às lágrimas no vestiário do Mangueirão. Houve um pedido de desculpas coletivo. Embora tenha tirado o Remo das quartas da Copa do Brasil, o grupo de jogadores não o culpou, tampouco o treinador Waldemar Carabina.

"Acabou o jogo e entrei no vestiário chorando. Pedi desculpas para o grupo, mas o Carabina não botou a culpa em mim. Ele botou a culpa em outro jogador, o Zedivan, que perdeu um gol sozinho no jogo em São Paulo", ressaltou Castor, que recebeu o apoio de Edmundo e Marcelinho ainda no gramado.

"Eles falaram comigo, me deram uma força. Disseram que isso acontecia, que fazia parte do futebol e que era normal. Pediram para eu levantar a cabeça e que poderia acontecer com qualquer um. Recebi apoio deles", disse.

Castor foi novamente escalado dois dias depois em um jogo do Campeonato Paraense. E marcou um dos gols da vitória do Remo por 6 a 0. "Ele (Carabina) gostava muito mim. Todo mundo gostava de mim, eu trabalhava bastante e não era mala, todo mundo era unido", continuou o ex-atacante, que não escapou das brincadeiras nas semanas seguintes: "No treino de chute a gol falavam que eu tinha de chutar para frente."

"Surgiu no fim do ano uma oportunidade de ir para a Coreia. Fui para lá porque queria ir embora e sair da pressão da torcida. Jogava uma partida mal e lembravam do gol contra. Quis sair", contou.

Depois que voltou ao Brasil, Castor acertou com o Iraty, do Paraná. Em seguida, começou a jogar em diversas partes do Brasil. "Joguei na Bahia, Amapá, Roraima, Amazonas. Depois rodei aqui em Belém. Joguei em 16 clubes, mas nunca mais joguei no Remo. Encerrei a carreira aos 35 anos", destacou Castor.

Com a possibilidade de um novo confronto entre Corinthians e Remo na Copa do Brasil, Castor diz que não sabe como vai reagir - a partida seria novamente disputada no Mangueirão. "Estou esperando o momento, ainda não pensei muito nisso. Vamos ver o que vou sentir na hora. Talvez eu vá lá", finalizou.

(Com informações do portal UOL)

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