Dos quatro jogadores saídos da base que iniciaram a temporada no elenco do Paysandu, apenas um ainda continua no grupo: o volante Rodrigo Andrade, 20 anos. Os demais, por motivos diferentes, se transferiram para outros clubes. Casos do zagueiro Pablo, do meia Djalma e o atacante Leandro Carvalho. O diminuto aproveitamento de atletas formados no próprio clube mostra o quanto o Papão ainda é dependente da importação de jogadores. Hoje os de fora estão em grande maioria no plantel, que ainda deverá receber mais ‘estrangeiros’ até o final da Série B do Brasileiro.
A bandeira de valorização do jogador local era uma das propostas levantadas pelo ex-presidente Sérgio Serra que, antes mesmo de assumir o cargo, prometia olhar com mais atenção às divisões de base do clube. O ex-cartola chegou a montar uma equipe, tendo à frente o diretor Sérgio Costa, para cuidar exclusivamente do departamento. Contudo, mesmo no curto tempo em que esteve no cargo, o qual renunciou no começo de julho, Serra não conseguiu ver a valorização do atleta prata da casa frutificar no elenco bicolor.
Não bastasse proporcionar pouco espaço aos atletas burilados em sua base, quem consegue chegar ao grupo principal bicolor ainda precisa enfrentar a dificuldade em conseguir espaço no time. Um bom exemplo é o caso do zagueiro Pablo, que mesmo sendo elogiado e apontado como uma das boas crias da casa, fez apenas uma partida pelo Papão na Série B do Brasileiro, antes de se transferir para o Marítimo, de Portugal. Pior sorte teve Djalma, que sequer chegou a jogar este ano pelo time.
PERDA DE DINHEIRO
Ao mesmo tempo em que importa “pencas” de jogadores – este ano já são 29 atletas, com a lista devendo aumentar nos próximos dias - gastando muito dinheiro, o Papão deixa de faturar com os seus próprios produtos. E não é por falta de exemplo. Só com a transferência de Paulo Henrique Ganso, do Santos-SP para o São Paulo-SP e, posteriormente, para o Sevilla, da Espanha, o Papão deve fechar um faturamento total de pouco mais de R$ 600 mil. Um senhor negócio ainda relegado pelos cartolas.
LOCAL PRÓPRIO
Esperança é centro de treinamento em construçãoO Paysandu não dispõe de um local próprio para a preparação das diversas categorias de base do clube. Os treinos são em campos alugados, alguns deles sem a infraestrutura adequada. A esperança está depositada em um terreno no bairro de Águas Lindas, em Belém, onde o clube vem construindo o seu Centro de Treinamento, sem data de inauguração.
De acordo com o diretor da base bicolor, Sérgio Costa, 44 anos, o departamento emprega, hoje, entre membros da comissão técnica e pessoal de apoio, cerca de 20 pessoas. Os gastos mensais com a base, segundo o dirigente, chegam a R$ 50 mil mensais, valor, todo ele, bancado pelo clube, que conta com 150 atletas, divididos em três categorias – sub-15, 17 e 20.Sérgio informa que alguns jogadores da base treinam com os profissionais. “O Marquinhos Santos (técnico do time profissional), sempre que precisa, nos pede atletas para completar os coletivos. Além disso, ele acompanha vez ou outra os treinos da base. Existe um link entre a base e o profissional há cerca de seis meses”, afirma o dirigente.
TIME DE ASPIRANTES FAZ FALTA
Um dos principais ídolos da história do Paysandu, o lendário Paulo Benedito Santos Braga, o Quarentinha, vê com certa tristeza a pequena quantidade de jogadores revelados pelos clubes locais. O eterno craque do Papão lamenta ainda o fato dos poucos bons atletas que surgem não receberem o devido valor. “Na minha época, nossos clubes tinham seus elencos formados basicamente por jogadores locais, o que, lamentavelmente, não acontece hoje, quando a maioria dos jogadores vem de fora”, salienta.
Um dos responsáveis pelo pequeno aparecimento de novos valores no futebol local, na opinião de Quarentinha, que por 18 anos vestiu a camisa bicolor, foi a extinção da categoria de aspirantes, que mesclava profissionais e amadores, como uma espécie de segundo time de cada clube.
“Isso fez um grande mal ao futebol local”, constata. “As equipes de aspirantes faziam as preliminares dos jogos principais e, com isso, os atletas mais novos iam se aclimatando às partidas com torcedores nas arquibancadas”, recorda.
Para Quarentinha, os clubes locais, sobretudo os de maior poder financeiro, casos de Paysandu e Remo, precisam investir mais em suas divisões de base. “Essa é a saída”, aponta. De acordo com o ex-jogador, os clubes deveriam cobrar mais dos treinadores que importam. “Esses técnicos deveriam ser obrigados a observar mais a garotada da base”, ensina. “Alguns chegam aqui e até olham alguma coisa, mas outros só querem saber dos resultados imediatos”, diz, em tom de lamento o eterno ídolo que surgiu na base bicolor
FIQUE POR DENTROBASE JÁ REVELOU BONS JOGADORES
A lista de craques revelados pela base do Paysandu é quase interminável. Alguns com passagens por equipes de ponta do futebol brasileiro, casos, por exemplo, de Charles Guerreiro, que vestiu as camisas do Flamengo-RJ, Fluminense-RJ, Vasco-RJ e seleção brasileira; e Heider, com passagens pelo Cruzeiro-MG e Internacional-RS, entre outros grandes clubes. Mais recentemente, Yago Pikachu (foto) teve os seus direitos negociados com o Vasco-RJ.
Hoje o Papão continua produzindo grandes jogadores, mas isso, conforme salienta o diretor da categoria, Sérgio Costa, é lento. “É um trabalho que requer paciência, pois precisa de certo tempo para dar fruto”, argumenta. O fato dos jogadores atuais não disputarem poucas competições de envergadura, como a Copa São Paulo, por exemplo, prejudica o desenvolvimento dos atletas locais.
“A gente, infelizmente, tem certa escassez em tudo”, lamenta o cartola. “São poucas as competições locais e a saída para participar de disputas lá fora exige certo investimento, que não dispomos”, admite o cartola, informando, em seguida, que este ano, o Papão levantou os títulos de campeão do Paraense sub-15 e o vice do sub-17. O sub-20, “cereja do bolo” do base local, começa no próximo dia 27.
SITUAÇÃO ATUAL
Elenco do Paysandu
Jogadores: 27
Locais: 6
Importados: 21
Promovido da base: 1
Jogos de atletas vindos da base- Série B do Brasileiro- Pablo: 1 partida- Rodrigo Andrade: 11 partidas
Integrais: 4
Parciais: 7- Leandro Carvalho: 4 partidas
Integrais: 2
Parciais: 2
Contratações este anoTotal: 29 atletas
Jogadores locais: 6Remanescentes de 2016: 14 atletas
(Nildo Lima/Diário do Pará)
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