Como já se tornou rotina nos grandes clubes locais, que esbanjam dinheiro sem ter a obrigação de prestar contas aos seus Conselhos Fiscais, meras figuras decorativas, a atual gestão do Paysandu segue, este ano, a mesma cartilha de suas antecessoras, contratando jogadores por atacado. As aquisições, na maioria dos casos, ao que parece, não seguem nenhum critério, o que tem acarretado prejuízos ao clube. A lista de aquisições de atletas só não é ainda maior por um único motivo: o fim do prazo de inscrição de jogadores na Série B do Brasileiro, última competição do clube na temporada.
A gestão iniciada pelo ex-presidente Sérgio Serra, que renunciou ao cargo, após ter sofrido uma ameaça de morte, e que tem prosseguimento sob o comando do engenheiro Tony Couceiro, é verdade, contratou bem menos que os 71 jogadores trazidos, em 2016, pelo ex-presidente Alberto Maia. Ainda assim, os 34 atletas vindos para a Curuzu, além de outros cinco integrantes da comissão técnica, podem ser considerados como exorbitantes, levando em conta a realidade financeira do clube, bem aquém dos congêneres de ponta do futebol brasileiro, e o péssimo custo-benefício, já que muitos dos atletas trazidos decepcionaram pela falta de qualidade.
Os atletas contratados, alguns poucos deles na própria praça local (confira no infográfico), são suficientes para a montagem de três equipes. Com isso, a garotada surgida na base do clube acaba ficando sem espaço, sendo obrigada a ir cantar em outra freguesia, como ocorreu com o zagueiro Pablo, hoje brilhando no futebol de Portugal, e os atacantes Will, cedido à Tuna Luso, e Leandro Carvalho, emprestado ao Ceará-CE, no qual é titular disputando a mesma Série B.
O mais intrigante, como lembram os torcedores em suas rodas de bate-papo, é que mesmo tendo disparado tantos tiros nos pés, com a aquisição de jogadores de baixo nível técnico, os cartolas continuam sem aprender a lição. No apagar das luzes do período de inscrição, trouxeram para a Curuzu um atacante que em 119 jogos marcou apenas 20 gols, o que dá uma média de 0,1 gol por jogo. Uma aposta que pode ou não dar certo, mas que tende se transformar em mais uma das muitas cabeçadas da cartolagem.
INDICAÇÕES
Dirigentes têm aquele famoso “dedo podre”Em meio a tantas importações desastradas, alguns jogadores vieram a Belém apenas e tão somente para fazer turismo, partindo sem deixar saudades aos torcedores. E o melhor - para os atletas, é claro - é que todos eles ainda tiveram seus salários pagos em dia, o que, diga-se, é obrigação de qualquer clube, além de passagens aéreas e auxílio moradia. Em troca, esses atletas deixaram apenas e tão somente a insatisfação nos torcedores e a confirmação de que nossos clubes continuam contratando mal.
Entre aqueles que vieram para a Curuzu e não corresponderam em praticamente nada estão o lateral-esquerdo Willian Simões, o meia Daniel Sobralense e os atacantes Anselmo e Alfredo, que até andou marcando uns golzinhos no Parazão, mas que acabou negando fogo quando o Papão passou a disputar competições de nível técnico superior - leia-se Copa do Brasil e Série B. Sobralense ao menos ainda teve a hombridade de admitir que não correspondeu a expectativa e chegou até a pedir desculpas ao torcedor.
“Peço desculpas ao torcedor paraense, ao torcedor do Paysandu que é maravilhoso. Peço desculpas por não ter desenvolvido um grande futebol”, apelou, na época da saída do clube, após 13 jogos pelo time.

(Nildo Lima/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar