A Copa do Mundo ainda está na segunda rodada da fase de grupos e já tem um astro, por enquanto absoluto. Sem muita surpresa, ele mesmo, Cristiano Ronaldo. Se a seleção de Portugal fez quatro gols nos seus dois jogos, Cristiano Ronaldo também fez. Todos os gols foram marcados por ele.
Certa vez, escrevi a propósito de um jogo de competição sul-americana que “Quando Messi não é Messi, a Argentina não é a Argentina”. Os dois grandes craques, com ou sem vaidade, com ou sem rivalidade, desempenham o papel que nenhum outro jogador tem no momento. Tanto que posso repetir com a mesma tranquilidade: “Quando Cristiano Ronaldo não é Cristiano Ronaldo, Portugal não é Portugal.” Em relação a Ronaldo, esta Copa do Mundo, ainda incipiente, já é uma comprovação.
Sempre fui mais admirador de Messi (não o Messi de ontem, por favor) do que de Cristiano Ronaldo. Simpatizo mais com o argentino, sem desmerecer naturalmente a qualidade do seu vizinho no topo do mundo. Porque Messi tem repertório maior de fundamentos. Além do chute e da capacidade de colocar a bola no gol, o argentino tem também uma habilidade incomum na construção de jogadas para os companheiros. O que mais me impressiona nele, no ponto de vista individual, é a forma como consegue conduzir a bola em alta velocidade, na corrida, sem que ela fuja de seus pés. É como se estivesse grudada neles. Não vi muitos jogadores com esse domínio de bola.
Mas aqui volta a campo o Cristiano Ronaldo. Não joga tanto na criação, embora saiba dar passes, evidentemente, mas ninguém é igual a ele na definição do lance, na finalização, na decisão da jogada... e do jogo!
Neste ponto, funcionam não só a sua qualidade, sua visão do gol e sua precisão no arremate de pé, de cabeça, de barriga ou de canela — de bicicleta ou de cobrança de falta artística —, mas também sua capacidade física, sua compulsão pelo reforço do estado atlético, pela forma do corpo. Imaginem vocês se essa dupla onírica — Cristiano Ronaldo e Messi ou Messi e Cristiano Ronaldo — jogasse no mesmo time e na mesma seleção.
DIA DE CAOS
Por falar num desses dois grandes personagens, tivemos ontem um dia de exceção. Nem a Argentina foi Argentina, nem Messi foi Messi. Os dois acabaram perdendo de 3 a 0 para a Croácia e estão em situação crítica na classificação para as oitavas.
Assim de momento, não me recordo de ter visto o Messi tão inútil, nem a Argentina em formato tão caótico no campo. Em matéria de organização, não parecia um time, muito menos uma seleção. Parecia um conjunto amador. Ou um bando. Essa situação verdadeiramente dramática estava muito bem refletida nas fisionomias do técnico Jorge Sampaoli, do próprio Messi e até de Maradona num setor da arquibancada. Acho que nem o antigo craque se lembra de uma seleção argentina tão despreparada.
Em seu tempo, não houve. Na saída de campo, após a derrota, Messi parecia confirmar o diagnóstico de pessoas que o consideram psicologicamente abatido.
Sendo assim, a Croácia não teve muita dificuldade para fazer três gols no segundo tempo, quando a Argentina perdeu até um certo vigor que teve no primeiro. A vitória começou quando o goleiro Caballero deu um gol de presente para Rebic, ao cometer uma falha desastrosa numa tentativa de passe em sua área.
Assim, a Copa da Rússia está na iminência de perder um dos dois maiores astros mundiais. Que permaneça pelo menos o Cristiano Ronaldo.
Não parecia a Argentina,nem parecia o Messi. Era um conjunto de amadores.
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