A palavra característica desta Copa já parece bem definida: “globalização”. Eu também já a apliquei aqui, no sentido de que foi esse movimento de jogadores de vários países atuando em países de outros jogadores que deixou o futebol mais nivelado. Tão nivelado (por baixo ou por cima) que potências como Espanha, Argentina e até a campeoníssima mundial Alemanha caíram fora.
O jogo mais significativo dessa tendência, o mais interessante e mais dramático a que assisti foi Bélgica x Japão, com a vitória do primeiro (3 a 2) conquistada no último minuto dos acréscimos finais, aos 49 do segundo tempo. O Japão foi um exemplo emblemático dessa aproximação dos chamados pequenos com os maiorais. Sua seleção foi um primor de organização e paciência, não por acaso duas características da civilização oriental. Sem grande brilho, sem um maior talento individual, mas com uma disciplina, uma sintonia coletiva de dar gosto, tanto que chegou a fazer 2 a 0 na temida Bélgica. Foi então que, apenas aos 24 minutos do segundo tempo, Vertonghen fez o primeiro dos três gols belgas, e então a organização japonesa simplesmente ruiu. De qualquer forma, essa seleção fez a Bélgica sofrer até o último segundo do jogo.
O Brasil, por exemplo, não chegou a sofrer tanto para vencer o México, mas, mesmo assim, demorou um pouco a encontrar seu melhor futebol. Digamos que demorou um tempo. A melhora foi exatamente na segunda parte do jogo, em que Willian voltou a ser um jogador de seleção. Foram dois Willians na mesma partida. O do primeiro tempo, aquele que há tempos não sobressaía entre nós. O do segundo, um outro Willian, que colaborou com decisão na vitória de 2 a 0. Não somente ele, naturalmente.
Thiago Silva voltou a ser o zagueiro e o capitão que era antes dos transtornos da Copa de 2014. Ou melhor até. Ainda por cima tem contado com a colaboração impecável de Miranda. O mesmo acontece na lateral esquerda. Filipe Luís não é o Marcelo insinuante do time titular, mas é indiscutivelmente competente como lateral.
E chegamos a Casemiro, que, assim como no Real Madrid, está dando à nossa defesa e ao nosso meio de campo uma segurança de causar inveja a times e seleções espalhados pelo mundo, mas que, assim como lá também, já está suspenso com dois cartões amarelos. É impressionante que um jogador que sabe marcar e jogar, como Casemiro, tenha que dar entradas tão perigosas nos adversários. Parece ingenuidade (ou será maldade mesmo?). Pior é que não tenho certeza se Fernandinho, o reserva, poderá ser tão seguro quanto Casemiro na mesma função.
Daí em diante, é o que se sabe. Se Willian continuar sendo o Willian do segundo tempo contra o México, continuará também como titular. Gabriel Jesus, a esta altura, está disputando posição com Roberto Firmino, autor do gol que está faltando ao titular até aqui.
E Neymar, bem, Neymar já foi escolhido o melhor de um jogo, justamente a vitória contra o México, e pode vir a disputar o prêmio de melhor da Copa. Pelo menos, seus maiores rivais — Messi e Cristiano Ronaldo — já foram despachados da maior competição do planeta, não por serem piores do que Neymar, mas por fazerem parte de times (Argentina e Portugal) que não os ajudam muito. Cristiano Ronaldo e Messi deixaram a Rússia. Azar da Copa.
Agora, vamos para uma fase, sem dúvida, de primeira qualidade, a começar pelo jogo do Brasil contra um adversário da categoria da Bélgica e de jogadores como de De Bruyne, Hazartd, Meunier, Mertens e Lukaku. Ao menos na teoria o grande clássico da Copa até aqui.
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