Em campo, toda a posição tem a sua importância tática e técnica para uma equipe de futebol. Contudo, nenhuma outra possui tanta responsabilidade quanto o profissional que assume a camisa 10, função central que serve de elo entre a defesa e o ataque, e enraizada como a identidade do craque da equipe. O Clube do Remo sabe bem disso e, dessa forma, nada mais justo que um jogador com o apelido de ‘Rei’ assumir o legado de maior 10 da história do time, que é o caso do ex-jogador e ídolo remista, Artur Oliveira.
O eterno meia-atacante, hoje com 50 anos, foi agraciado com o título em votação aberta pelos torcedores do Leão Azul. Com duas passagens pelo Baenão como atleta, sendo as duas marcantes, já que na primeira ascendeu ao futebol mundial e a segunda para pendurar as chuteiras, Artur Oliveira nos dois momentos foi vencedor em campo. Atualmente treinador do Castanhal, o profissional já assumiu o apito também pelo time que o consagrou no Estado, com direito a título em 2008.
Artur comentou sobre o assunto. “É gratificante demais. Como qualquer profissional, você ser reconhecido por aquilo que faz é gratificante. É um legado grandioso de uma passagem vitoriosa que marcou muito a minha carreira e deu muita alegria ao torcedor”, disse.
Artur Oliveira aproveitou a oportunidade para falar sobre a sua intimidade com o Leão antes mesmo de defender o time, o retorno financeiro que contribuiu para com a instituição após a sua ida à Europa e avaliação sobre a chegada de novos “10” para o Clube do Remo. Confira!
LEMBRANÇAS
“Eu lembro que o meu pai me levou no estádio José de Melo, aqui no Acre, para ver o Remo jogar. Um Remo de Mesquita, um Remo de Bira, de Dico, esses grandes jogadores que marcaram o futebol paraense. É gratificante ter visto isso e ter deixado a minha (marca) também. Um jogo que marcou muito a minha passagem foi contra a Tuna, em que eu arranco do meio-campo, toco a bola pro Luciano, ameaço cruzar e o goleiro Luiz Sérgio pula e meto por cima”.
RECONHECIMENTO
“Fomos tricampeões e levamos a equipe à primeira divisão do campeonato brasileiro. Poder dar essa alegria ao torcedor e acima de tudo um retorno financeiro. Fui vendido a Portugal na época por US$300 mil, talvez a maior transição desse clube de todos os tempos. Aí você volta e é campeão 100% no último ano como jogador. É um legado que você deixa e não tem dinheiro no mundo que pague esse reconhecimento”.
NOVOS ‘10’
“O surgimento de novos camisas 10 tem que vir lá da base, de um trabalho. Sempre falo que o futebol paraense é rico de grandes jogadores. Então acho que é investir naquilo que você tem, dar condições de trabalho e ter paciência que o torcedor, principalmente de Remo e Paysandu, não tem com os jogadores criados dentro de casa. Talento nós temos, o que precisa é de paciência. Se fizer um jogo ruim o pessoal enterra logo, e o de fora pode errar. É preciso acreditar”.
ANOS DE OURO
“Joguei em uma época em que só tinha craque no futebol paraense. O Paysandu tinha um timaço, a própria Tuna tinha um timaço. Acho que felizes são os torcedores que viram os jogos, tenho certeza que sentem saudade daquele futebol. Era uma época de ouro no futebol paraense”.
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