A mobilização feita pelo setor esportivo, principalmente nas redes sociais, que contou com atletas, treinadores, ex-atletas, confederações e federações, teve uma vitória importante ontem à tarde na, quando em votação na Câmara dos Deputados foi aprovado o requerimento de urgência do projeto de lei 2824/2020, de autoria do deputado Felipe Carreras (PSB/PE). O projeto esportivo foi elaborado nos mesmos moldes do projeto de lei aprovado semana passada e que foi denominado Lei Aldir Blanc, que prevê um repasse de R$ 3 bilhões da União para ações emergenciais do setor cultural.
“O esporte muitas vezes é o último da fila, mesmo sendo um setor importante, não só para formar medalhista, mas por fazer parte da formação do cidadão, com disciplina e saúde, dialogando com esses valores. Esse setor está parado e desassistido, com competições canceladas, e precisa haver ter um olhar do estado para esses profissionais”, observou o deputado Felipe Carreras.
Com a aprovação da urgência, o projeto não precisa passar em nenhuma comissão e será votado diretamente no plenário. A expectativa é que o mérito seja analisado e votado até a próxima semana. Além da ajuda às entidades, como a proibição do corte de fornecimento de energia e água ou qualquer serviço de telecomunicação das federações, os atletas seriam os principais beneficiados. A proposta prevê que a União pague um complemento mensal de até um salário mínimo (R$ 1.045) aos profissionais do esporte que tiveram redução de rendimento médio para abaixo de dois salários mínimos, o que atingiria educadores físicos, atletas, paratletas, técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, árbitros, maqueiros e etc.
“Ainda não tinha ouvido falar desse projeto, mas pra gente como atleta, tudo que venha contribuir para o crescimento do esporte no nosso país é motivo para se comemorar bastante, pois ainda são muitas as dificuldade que encontramos”, comentou Vileide Silva, paratleta de atletismo e da seleção brasileira feminina de basquete em cadeiras de rodas. Ela afirma que se for aprovado será mais uma conquista para os atletas. “São muitas as dificuldades que ainda temos para nos manter no esporte. Principalmente diante dessa pandemia fomos bastante prejudicados mesmo, pois foi bem no início do ano, quando estávamos correndo atrás de recursos para manter nosso material esportivo”, completou Vileide.
REPERCUSSÃO
- Coordenador do All Star Rodas, que trabalha com atletas paralímpicos, Wilson Caju afirma que pela primeira vez vê um projeto com o objetivo de alcançar o esporte em geral, não só o futebol. “As pessoas que fazem o esporte amador são os que mais precisam e esse projeto é espetacular. O esporte tem um caráter educativo e essa pandemia prejudicou demais os esportistas e os profissionais que participam de projetos assim. Ele vai beneficiar demais os atletas de todas as modalidades paralímpicos, vai tirar aquela ideia que esse esporte é para pessoas que não fazem nada”.
- Segundo Luciel Caxiado, presidente da Federação Paraense de Remo (Fepar), o projeto é apropriado para o momento que vive o país. “A história já ensinou que nesses momentos de crise, são afetados todos os setores de nossa vida. É aí que a União e os estados têm que se fazer presente a fim de criar meios de socorro monetário evitando um mal maior (...) Não foi somente o futebol profissional que foi prejudicado, o esporte amador de uma maneira geral sofreu impacto maior. Baseado nisso, o projeto pode ser sim benéfico para o atleta”.
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