Há seis anos, quando entrou em campo pela primeira vez para um clássico Re-Pa, o meia Alan Calbergue era apenas um adolescente e experimentava pela primeira vez in loco a rivalidade entre os dois times da capital paraense. Não era o profissional ainda, sequer o sub-20, mas já sentia bastante tudo o que circundava o clássico paraense. Agora, ele convive com o ápice dessa rivalidade na disputa dos dois times pelo acesso para a Série B, na véspera de mais um encontro.
O sentimento de anos atrás não é mais o mesmo. A ansiedade para jogar um Re-Pa é semelhante, mas mesmo aos 22 anos ele já tem uma experiência considerável diante do Leão Azul. Junto a ele, cinco jogadores da base têm atuado regularmente na equipe de cima, seja como titular ou não. Essas chances aos jogadores, diz Calbergue, não se resumem apenas aos que vieram da base e sim até a alguns que estavam sem chances há tempos.
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“Tinha 16 anos no meu primeiro Re-Pa, deu um frio na barriga, a rivalidade era enorme. Hoje me sinto muito feliz jogando o clássico como profissional”, lembra Calbergue, que salienta as chances que estão sendo dadas a quem vinha jogando pouco antes da chegada de João Brigatti. “Muita gente que não vinha tendo oportunidade se sentiu mais valorizado e motivado quando o professor passou a dar mais oportunidades. Cada um tem feito o possível para se manter e ter uma sequência”.
Se não há uma sequência no time de cima, o meia sabe que poucos têm conseguido isso diante da concorrência no meio de campo bicolor. Com exceção do volante Anderson Uchôa, que está lesionado atualmente, ninguém mais conseguiu se manter como titular no decorrer da competição. “Temos um grupo muito qualificado e a concorrência é forte. Eu luto todos os dias para estar bem e poder aproveitar as oportunidades dadas”.
Os dias que antecedem o clássico, afirma o meio-campista, já não são mais de nervosismo, que com o tempo o melhor é buscar se concentrar nos jogos que estão por vir e descansar das durezas dos treinos do dia a dia. “Na concentração a gente fica mais descansando do que qualquer coisa, se alimentando bem e mentalizando o próximo compromisso”.
Liderança não deslumbra!
Por ter sido o único time do Grupo D a ter vencido na primeira rodada do quadrangular, o Paysandu lidera a chave e é apontado pelos sites de probabilidade esportiva como favorito a conquistar uma das duas vagas de acesso. No entanto, por mais que seja uma fase de tiro curto, foi apenas um jogo para cada um e muitas coisas podem acontecer até a metade de janeiro, quando se saberá quem subirá para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.
Durante a semana, alguns dos jogadores mais experientes do elenco deixaram claro que tudo o que aconteceu em 2019, quando o Paysandu esteve muito próximo do acesso e do título da Copa Verde e morreu na praia, deixou a todos dentro da Curuzu muito mais maduros e preparados para encarar os desafios que viriam pela frente.
“A gente aprende tanto nas vitórias quanto nas derrotas. Passamos por algumas situações ano passado e acredito que isso nos deixou mais maduros. Espero que possamos usar isso no quadrangular final”, comentou o atacante Nicolas, que está em sua segunda temporada no clube. O volante Serginho, que chegou apenas esse ano, mas tem uma boa rodagem no futebol, salienta essa característica do elenco. “Para jogar no Paysandu tem que ser jogador cascudo, acostumado com a pressão. Depois de muitas coisas que aconteceram, o elenco criou uma casca, conseguindo crescer na hora certa”.
Alan Calbergue garante que até se evita falar a palavra favoritismo na Curuzu, que ninguém dentro do grupo sequer pensa nesse sentido. Ele afirma que vê muitas similaridades entre os momentos dos dois rivais, que estariam, segundo ele, em bons momentos e muito competitivos dentro da competição nacional. O meia acredita que o equilíbrio, mais uma vez, será o tom do Re-Pa, com duas equipes em boas situações em busca do acesso.
“Não concordo em favoritismo. Em clássico tudo se iguala e sabemos das qualidades do rival. As duas equipes chegaram bem a essa fase e não existe favoritismo aqui na Curuzu. Para mim, tudo fica igual. Eu acredito que os dois times vão propor jogo. Vai vencer quem estiver mais atento”, disse. “Os dois times têm suas armas e vêm trabalhando para não serem surpreendidos. Eu acredito que será um jogo aberto”.
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