- É tempo de Natal, de ganhar e de dar presentes, reza a tradição da data festiva. E não custa nada ao torcedor mais crescido do Clube do Remo voltar aos seus tempos de criança e esperar por um grande presente trazido pelo Bom Velhinho. Esse mimo tão sonhado pelo simpatizante azulino é, sem dúvida, o acesso do time à Série B do Brasileiro em 2021. O clube está há 13 anos sem participar da chamada Segundona. Este ano, com a boa campanha que a equipe faz na Série C, o torcedor nunca esteve tão perto da realização de seu sonho maior - mesmo que o presente venha só em janeiro, já que o campeonato deste ano vai se estender até lá por causa da pandemia de Covid-19.
A equipe azulina é líder do Grupo D da Terceirona, o que deve estar animando o Papai Noel a atender a cartinha do torcedor do clube. Caso o Bom Velhinho tenha dado uma olhada nas projeções matemáticas feitas pelo site Chance de Gol deve ter ficado ainda mais convencido de que não pode mesmo deixar de passar pelo Baenão para deixar na árvore de Natal azulina o belo presente contendo uma das quatro vagas na Série B do ano que vem. O site diz que o Leão reúne 82.3% de chances de acesso e 53.4% de chegar à final da Série C. Números capazes de convencer qualquer um, inclusive Papai Noel, do merecimento do time.
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O presente de Noel ao torcedor remista poderá se concretizar ainda mais no final de semana, quando a equipe recebe a visita do Ypiranga-RS, lanterna da Chave D, com zero ponto. Vencendo o adversário gaúcho, o Clube do Remo deixará seu torcedor ainda mais contente e o velho Noel com a certeza de que o presente que carregou no seu saco vermelho não foi em vão. Um triunfo no final de semana permitirá à equipe do técnico Paulo Bonamigo terminar 2020 com uma mão em uma das vagas ao acesso, motivo para uma bela festa de final do ano por parte do torcedor, do próprio elenco do clube e de seus dirigentes.
Time corrigiu a rota e engrenou na temporada
Mesmo tendo começado mal a temporada, deixando escapar o título Estadual para o maior rival, o Paysandu, o Clube do Remo dá sinais de estar dando a volta por cima justamente na competição de maior interesse para o torcedor, o Brasileiro. A equipe se classificou para o quadrangular decisivo da Série C, fase na qual os dois primeiros colocados de cada Grupo (C e D) já estão classificados à Segunda Divisão de 2021. O grupo azulino tem feito apresentações convincentes, tendo como grande exemplo a vitória, de virada, no último Re-Pa, que é quase sempre um divisor de águas, como se diz.
A troca de treinador durante o desenrolar da Terceirona tem se mostrado uma ação acertada da diretoria. Sob o comando de Mazola Júnior, que sucedeu Rafael Jaques, o time não conseguia desenvolver um bom futebol, com o seu comandante sendo tachado de retranqueiro. A vinda de Paulo Bonamigo, que já havia passado pelo Baenão em 2000, deu uma turbinada no desempenho do time, que passou a apostar em sua força ofensiva, que nem sempre no futebol consegue surtir o efeito pretendido, como se viu no empate, sem gols, diante do Londrina-PR, logo na primeira rodada da atual fase da Terceirona.
Contratação de jogadores no futebol local foi e continua sendo motivo de polêmica. Na maioria das vezes, os atletas importados por nossos clubes costumam não corresponder ao investimento. Este ano, após a perda do Estadual, a direção azulina foi bastante seletiva na escolha de seus atletas. A última grande aposta do Leão recaiu em Felipe Gedoz, jogador com experiência internacional e que em seu início no clube não conseguiu agradar. Mas, aos poucos, o jogador vem se redimindo, fazendo boas apresentações, como ocorreu no Re-Pa. É possível que Gedoz faça a diferença na reta final do campeonato.
Salário atrasado sempre foi uma espécie de adversário extra enfrentado pelos clubes locais. Pois eis aí um problema superado pela atual gestão do Clube do Remo. Mesmo com todas as dificuldades financeiras causadas pela pandemia da Covid-19, a direção do clube, até onde se sabe, tem mantido o pagamento de seu elenco em dia. O detalhe, da mais alta importância, diga-se, tem permitido ao técnico Paulo Bonamigo trabalhar em paz, sem ter de gastar seu tempo ouvindo reclamação de seus atletas, que como qualquer trabalhador não se sente satisfeito em não ter o seu pagamento na conta ao final de cada mês.
A perda do tricampeonato para o maior rival pode, em princípio, ter abalado o torcedor azulino. Ver o outro lado comemorar seja qual título for não é encarado com normalidade pelos simpatizantes de ambos os lados. Esse pode ter sido o grande pecado da gestão do presidente Fábio Bentes. Mas, como diz o ditado, há males que vêm para o bem. O tropeço no Estadual fez com que a gestão azulina abrisse os olhos para a necessidade da montagem de um elenco mais competitivo para encarar o desafio do acesso à Série B e o resultado tem sido positivo até aqui.
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