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ENTREVISTA

Eduardo Ramos revela que vai encerrar a carreira no Remo

Meia dispara "Se for na Série A, melhor ainda"

domingo, 17/01/2021, 08:34 - Atualizado em 17/01/2021, 09:58 - Autor: Matheus MIranda


"Acho que a grande vitória para o Remo seria uma permanência tranquila (na Série B), sem riscos. Acho que um ou dois anos para o clube se estruturar, buscar recursos. Tenho certeza que em curto prazo vai brigar pelo acesso. Não sei se vai dar tempo para mim até lá, mas, independente
de como for, vou torcer muito".
"Acho que a grande vitória para o Remo seria uma permanência tranquila (na Série B), sem riscos. Acho que um ou dois anos para o clube se estruturar, buscar recursos. Tenho certeza que em curto prazo vai brigar pelo acesso. Não sei se vai dar tempo para mim até lá, mas, independente de como for, vou torcer muito". | Samara Miranda/Remo

No elenco azulino, um jogador consegue ir de um extremo a outro em questão de minutos em um debate na torcida do Clube do Remo. Eduardo Ramos, meia-armador de 34 anos, para alguns, é considerado um dos principais ídolos da história recente da agremiação, enquanto que para outros, um atleta com uma contribuição natural de um profissional, mas sem grandes arroubos e, por vezes, contestado. Independente do sentimento aflorado dos torcedores, fato é que o atleta cravou ainda mais o seu nome no hall de jogadores memoráveis do estádio Evandro Almeida, ao participar pela segunda vez de um acesso com o Leão Azul, desta vez da Série C para a Série B, no último domingo (10), tornando-se o único atleta remanescente daquele elenco de 2015 que conseguiu tirar o Mais Querido da Quarta Divisão - e como protagonista naquela campanha.

Dono de uma qualidade inegável em campo, sendo várias vezes o fator de desequilíbrio a favor da equipe, embora longe do holofote que tinha no começo das suas quatro passagens pela equipe, o ‘maestro’ que hoje segue cada vez menos armador para ocupar uma posição mais avançada, como uma referência no ataque, mostra capacidade de adaptação, ao ser o artilheiro do time na temporada, com oito gols em 23 partidas. Os tentos marcados o consagram como o artilheiro do século no clube, com 33 gols, número pelo qual é conhecido pela célebre campanha de marketing da qual foi o garoto-propaganda.

Com uma relação com o clube e a torcida marcada por cenários inesquecíveis, como a saída do maior rival e o desembarque no estádio Mangueirão de helicóptero em dezembro de 2013 como forma de apresentação, Eduardo Ramos destacou que fará o possível para ajudar o Remo a conquistar um título nacional, o primeiro entre as partes. Acompanhe a seguir um panorama do ‘mito’ sobre a sua passagem até o momento pelo Leão, ambições e os laços construídos com o clube.

Qual o significado de estar presente nos dois acessos recentes do Clube do Remo? É um marco?

Fazer parte dos dois acessos é algo maravilhoso, acho que é uma coroação dos trabalhos desses últimos anos e de estar vestindo essa camisa. É maravilhoso. Acho que você faz parte de uma história, vai ser sempre lembrado. É algo único. Acho que se você conseguir um acesso em um clube tão grande como é o Remo é algo maravilhoso.

Mais experiente e com mais uma conquista importante para o clube, como anda a relação com o torcedor? É um misto de amor e ódio?

A relação com o torcedor é sempre de muito respeito. Seja o lado da cobrança, que é normal, ou lado positivo, sempre trato com muito respeito, toda e qualquer crítica. Mas sem dúvida é um carinho especial, me sinto lisonjeado. Passo por muitas coisas boas que realmente mexem comigo e não só como jogador, mas como ser humano, como pessoa. É algo muito bom, independente de como seja, é sempre de respeito.

 

Permanecer para a disputa da Série B é pouco. ER10 quer ficar até pendurar as chuteiras
Permanecer para a disputa da Série B é pouco. ER10 quer ficar até pendurar as chuteiras | Samara Miranda/Remo
 

Você é o artilheiro do time na temporada e geralmente associado como o diferencial da equipe nas adversidades. Como visualiza essa parceria de longa data com o Remo e essa responsabilidade? Deseja permanecer para disputar a Série B?

Me sinto feliz por ser o artilheiro, por ter fechado esse ano, mas nunca tive vaidade por gols. Sempre foquei em ter alto nível, fazer boas partidas, mas fazer gol é gostoso. Eu não só pretendo continuar no Remo, como gostaria de encerrar a minha carreira no clube, é o clube que mais me identifiquei na vida, clube que mais tenho carinho, mais respeito. Vai estar sempre no meu coração, na torcida. Sei que hoje estamos mais próximos do fim e gostaria de encerrar no clube que mais me identifiquei e tenho um carinho enorme.

Com o desejo de ficar, você ainda tem lenha para ajudar, quem sabe, o time chegar à elite nacional?

Acho que ainda tenho uma boa lenha pra queimar. A cada ano que passa procuro me cuidar mais, sei da importância que tem o meu corpo naquilo que preciso. Acredito que possa contribuir muito ainda, seria ideal encerrar a carreira deixando o clube na Série A, mas não devemos vender essa ilusão, porque sabemos as dificuldades de uma Série B. Acho que a grande vitória para o Remo seria uma permanência tranquila, sem riscos. Acho que um ou dois anos para o clube se estruturar, buscar recursos. Tenho certeza que em curto prazo vai brigar pelo acesso. Não sei se vai dar tempo para mim até lá, mas, independente de como for, vou torcer muito e espero ver esse clube na Série A, o que vai ser muito prazeroso.

2015 ou 2021: qual dos dois acessos foi mais simbólico?

Sem dúvida 2015. A nossa situação em 2015 era muito crítica, era sempre muita pressão, era sempre ‘ganha ou tá de férias’, ‘ganha ou acaba o ano’. Foi muito conturbado, o nosso extracampo, a nossa administração foi conturbada. Nem se compara. Todo ano as dificuldades são as mesmas, mas 2015 foi muito mais trabalhoso. Até porque a nossa administração agora, presidência, tem sido excelente, honrando todos os compromissos e isso facilita muito dentro e fora de campo. Hoje a gente vive um sonho da forma que o clube caminha.

Pelo que construiu e pode ajudar a seguir construindo, você se considera um ídolo do clube?

Eu nunca vou falar que vou me considerar um ídolo, acho que isso não faz parte de uma grande pessoa. O reconhecimento tem que vir das pessoas que te acompanham, não acho justo uma pessoa se vangloriar. Mas me sinto muito feliz de ser lembrado por grandes ídolos que passaram no clube. Rei Artur, Gian, como vários outros. Como o Vinícius. Me sinto feliz em ser lembrado no meio de grandes jogadores e espero que isso permaneça por muito tempo.

EM NÚMEROS

Eduardo Ramos no Leão

4 - passagens pelo Remo (2014, 2015/16, 2017 e 2019/21)

2 - acessos (Série D a C: 2015; e Série C à B: 2020/21)

126 - jogos

33 - gols

2 - título estaduais (2014 e 2015)

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