Você já se perguntou o que leva uma equipe a mudar tanto de um jogo para o outro? Essa deve ser uma pergunta que, em especial, o torcedor do Paysandu está se fazendo após a ótima apresentação e conquista do Campeonato Paraense, no último domingo (23). Muitos devem falar sobre a mudança no comando técnico, outros preferem apostar na pressão que a torcida fez ao longo da semana.

Na temporada, são 16 jogos, nove vitórias, quatro empates e três derrotas, tendo feito 22 gols e sofrido 14. Números bons, olhando diretamente. Mas a verdade é que o Papão não vinha bem e parece ter jogado tudo o que não jogou no ano nesta segunda partida da final do Parazão contra a Tuna Luso.
O que víamos na equipe de Itamar Schülle era um Paysandu sem jogadas, sem transições, sem poder ofensivo, se arrastando na fase classificatória, nas quartas de final, semifinais e sendo massacrado no primeiro jogo da final, quando foi derrotado por 4 a 2 para a Tuna Luso. Foi o estopim que ocasionou a demissão do treinador.
O interino, Wilton Bezerra, assumiu o comando técnico da equipe e tinha como principal missão manter a confiança do elenco. Na quarta-feira, o novo comandante do Lobo, Vinícius Eutrópio, foi anunciado, o que gerou um mar de críticas por parte da torcida, que não gostou do histórico do novo treinador. Cobranças mais pesadas à diretoria e aos jogadores também surgiram.
"Nos preocupamos com o nível de confiança e concentração dos atletas. Trabalhamos algumas estratégias durante a semana. Os jogadores estão cientes do que devem fazer. Acima de tudo, temos que ter imposição. Foi a palavra mais falada. Vamos precisar de equilíbrio. Temos que acreditar até o final, pois esse título vai voltar para a gente", comentou Bezerra antes da final na Curuzu.

No dia da decisão contra a Águia Cruzmaltina, torcedores conversaram com alguns atletas do Papão e o jogador Nicolas, principal referência no ataque bicolor, disse: “Hoje será um jogo diferente! Dou a minha palavra!”
E foi o que aconteceu. Quem acompanhou a partida, viu uma equipe Alviceleste totalmente diferente do restante dos outros jogos ao longo do ano. Do início ao fim, os bicolores sufocaram a Tuna, que até tentou jogar um balde de água fria na reação dos donos da casa ao abrir o placar com Paulo Rangel de pênalti, mas não adiantou.

Wilton Bezerra promoveu três mudanças na equipe titular, em comparação ao jogo do Souza. Saíram Yan, Jhonnatan e Ari Moura e entraram Alisson, Denilson e Igor Goularte, respectivamente. Apesar disso, o esquema de 4-3-3 foi mantido. As linhas altas do Papão funcionaram e acabaram com as armações de jogadas da Lusa, que saia no chutão e logo via a bola retornar.
Então, o que deve ter mudado para o que vimos no jogo, torcedor? Uma nova atitude? Uma outra vontade? Motivação extra? Somente no primeiro tempo foram oito boas chances de gol. Gabriel Bubniack, goleiro da Tuna Luso, evitou que a vantagem da Gloriosa fosse para o ralo ainda nos 45 minutos iniciais.
Para a segunda etapa, algo bem curioso e digno de aplausos aconteceu com as mudanças de Bezerra. Logo no intervalo, trocou Denílson, volante, por Robinho, atacante, deixando o Papão no 4-2-4 quando atacava, algo que lembrou as equipes do Século XX.
O Lobo manteve o sistema defensivo, tendo somente Jhonnatan e Ratinho à frente da zaga. No ataque, Ari Moura e Robinho faziam as pontas, enquanto que Gabriel Barbosa e Nicolas, um pouquinho mais recuado, ocupavam a área e sufocavam a Tuna.
Pelo menos sete novas chances foram criadas no segundo tempo e aconteceu o que todos acompanharam: um hat-trick do camisa 9 bicolor, que entrou aos 19 minutos e nos três primeiros toques balançou as redes em todas. Final, Paysandu 4 a 1 e bicampeonato garantido, o 49º título do Campeonato Paraense na história.

A verdade é que Wilton Bezerra teve grande influência na postura dos atletas e foi primordial no esquema do segundo tempo. Agora, o técnico-interino passa o bastão para Vinícius Eutrópio, que estreará na Série C do Brasileiro no próximo sábado, dia 29, contra a Tombense. Se veremos um Paysandu com a cara de Schülle, Bezerra ou Eutrópio, só o tempo dirá. A única certeza que se tem é que o elenco renovou a confiança e trouxe o apoio da Fiel Bicolor de volta para o seu lado. Boa sorte no restante da temporada, Papão!

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