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MUDANÇAS NECESSÁRIAS

Clube do Remo e os problemas escondidos pela invencibilidade

Leão apresenta problemas em todos os setores da equipe. Bonamigo precisa mudar peças para uma Série B sem sustos e diretoria azulina deve buscar reforços.

segunda-feira, 14/06/2021, 18:06 - Atualizado em 14/06/2021, 18:24 - Autor: Kaio Rodrigues/DOL


Leão apresentou problemas em todos os blocos nas últimas partidas.
Leão apresentou problemas em todos os blocos nas últimas partidas. | (Foto: Vitor Silva/Botafogo)

Foram 16 jogos de invencibilidade, somando Campeonato Paraense, Copa do Brasil e a primeira rodada da Série B do Brasileiro, até a derrota para o Atlético Mineiro dentro de casa. Ao todo, nesse período, o Clube do Remo marcou 32 gols e sofreu 13. Bons números para o primeiro semestre. O problema é que essa sequência acobertou alguns problemas no jogo azulino, que foram escancarados nas partidas contra o Galo Vingador – sem comparar o nível entre os clubes, desbalanceados – e contra o Botafogo, adversário direto na Segundona.

É claro que ninguém fica quase 20 partidas invicto sem méritos. Mas com as chegadas das principais competições do ano e o avanço da equipe no torneio nacional de mata-mata, o nível técnico aumenta e as exigências de jogo aos clubes também. Nos seus maiores testes na temporada, o Leão deixou a desejar e a equipe de Paulo Bonamigo mostrou ter muitas dificuldades em todos os blocos do campo.

Talvez a vitória diante do Paysandu, por 4 a 2, ainda na terceira rodada do Parazão, na fase classificatória, tenha colocado o clube em um patamar que não era real, consequência da empolgação de ter vencido o clássico sem problemas, na casa do rival – quando o Papão passa por muitas dificuldades e cobranças desde o início da temporada.

ANÁLISE:

Vamos começar falando sobre a maior dificuldade do Leão na temporada: a defesa. Até aqui são 20 gols sofridos em 20 jogos, média de um por partida - número que não é maior por causa do goleiro Vinícius. As principais formas que os adversários chegam à meta azulina são em bolas paradas. Em uma entrevista coletiva, após o jogo contra o Independente, na quinta rodada do Campeonato Paraense, o técnico Paulo Bonamigo cobrou atitude do seu setor, dizendo que jogadores precisavam "agredir a bola".

 

Zaga azulina tem média de um gol sofrido por jogo.
Zaga azulina tem média de um gol sofrido por jogo. | (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
 

No primeiro semestre, a dupla de zaga foi formada por Rafael Jansen e Fredson, velhos conhecidos azulinos que, inclusive, ajudaram o Filho da Glória e do Triunfo a conquistar o acesso à Série B do Brasileiro. Visando reforçar a equipe para a Segunda Divisão, a diretoria remista contratou Suéliton (inicia transição nesta terça-feira, após lesão no púbis) e Romércio, este até agora o mais seguro nas ações defensivas.

A questão é que uma defesa não envolve somente aqueles que ocupam o primeiro terço do campo. A marcação começa na frente e aí entra o X da questão. O Leão tem um meio de campo lento, com Anderson Uchôa, Lucas Siqueira e Felipe Gedoz, jogadores que não possuem características de marcação e acabam sofrendo quando o adversário tem uma transição ofensiva em velocidade.

 

Gedoz não vive seu melhor momento no Leão.
Gedoz não vive seu melhor momento no Leão. | (Foto: Samara Miranda/Remo)
 

Dioguinho e Jefferson – este segundo que atuava centralizado nas suas equipes anteriores – buscam sempre recompor e ajudar os laterais. No entanto, ficam sobrecarregados por precisarem cumprir suas obrigações no ataque. Isso tudo leva o Remo a deixar espaços para que os adversários possam trabalhar a bola entre seu meio e zaga. Foi assim nos dois segundos gols do Botafogo no último domingo (13).

Outro ponto fraco da equipe de Paulo Bonamigo é a lateral-esquerda. Apesar de ser líder de assistências na temporada, Marlon não tem uma recomposição rápida e é lento na hora de fazer a aproximação nos adversários. Na estreia da Série B do Brasileiro, o primeiro gol do CRB foi marcado em bola nas costas do camisa 6. Além disso, conta com a cobertura de Rafael Jansen, outro jogador lento. Talvez seja a hora de Igor Fernandes se tornar o dono da ala azulina, este que fez um bom jogo diante do Atlético-MG, pela Copa do Brasil.

 

Marlon mostra lentidão na recomposição e dificuldades na marcação.
Marlon mostra lentidão na recomposição e dificuldades na marcação. | (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
 

E O ATAQUE?

Agora, chegamos à parte que vai levar o Leão aos gols: o sistema ofensivo. Bonamigo sempre usa três jogadores no ataque, com dois pontas e um mais centralizado. Os homens de frente recebem o apoio do camisa 10, Felipe Gedoz, responsável por organizar e articular as principais chegadas da equipe. Ele recebe o apoio de Uchôa e Lucas Siqueira, que chegam mais como elementos surpresas.

Por conta da recomposição defensiva, os alas, Dioguinho, Lucas Tocantins ou Jefferson, acabam sendo prejudicados, já que precisam chegar ao ataque em poucos segundos, várias vezes durante a partida. As vezes, com a demora na transição e com um adversário bem postado, a velocidade acaba não sendo a principal arma do time, mas seria a desses jogadores, que precisam sempre tentar o drible curto para sair das marcações e coberturas.

 

Jefferson atuava como centroavante nas últimas equipes que defendeu. Por que não jogar centralizado no Leão, já que não vem rendendo o esperado nas pontas?
Jefferson atuava como centroavante nas últimas equipes que defendeu. Por que não jogar centralizado no Leão, já que não vem rendendo o esperado nas pontas? | (Foto: Samara Miranda/Remo)
 

Gedoz caiu de rendimento e parece desmotivado em muitos instantes dos jogos. Com pouca movimentação e sem apresentar-se para receber a bola dos volantes e até mesmo dos zagueiros, o meia azulino torna-se presa fácil para a marcação rival e com isso não consegue alimentar o seu ataque. E o que falar dos centrovantes do Leão?

Ora Renan Gorne, ora Edson Cariús. Ambos ainda não mostraram o que se espera deles: gols. Apesar das dificuldades, nem na "melhor fase" foram referências. O primeiro, na maioria do tempo titular, participou de 19 jogos e balançou as redes cinco vezes, enquanto que o segundo, com menor tempo de atuação, disputou 14 partidas e marcou apenas duas vezes.

É PRECISO MUDAR

É fato que o Clube do Remo precisa de reforços, precisando evoluir em todos os setores do campo para fazer uma Série B do Brasileiro mais tranquila. Fábio Bentes e sua cúpula precisam correr atrás de peças estratégicas para que o torcedor azulino não sofra ao longo de 2021.

Em resumo, o Leão precisa reforçar sua zaga com mais um zagueiro, já que Suéliton mostrou ter problemas com o púbis e Jansen e Fredson não vivem seus melhores momentos. Igor Fernandes pode tomar a vaga de Marlon, um bom reserva para a posição. Uchôa, 30 anos, e Lucas Siqueira, 32, devem disputar vaga de segundo volante e o clube ir em busca de um cabeça de área mais pegador. Gedoz precisa de uma sombra para se espertar.

 

Anderson Uchôa e Lucas Siqueira não podem atuar juntos. É preciso um cão de guarda.
Anderson Uchôa e Lucas Siqueira não podem atuar juntos. É preciso um cão de guarda. | (Foto: Vitor Silva/Botafogo)
 

No ataque, um centroavante cairia bem. Quem sabe testar Jefferson na posição que está mais habituado? Mais um ponta ainda deve pintar no Baenão, já que Lucas Tocantins sofre com lesões e somente Dioguinho parece ter a confiança de Bonamigo para atuar mais tempo na equipe titular. Gabriel Lima, Thiago Mafra e Wallace pouco jogam.

O próximo desafio do Leão de Antônio Baena acontece nesta quarta-feira, dia 16, no Estádio Evandro Almeida, Baenão, às 16h. O adversário será o Vitória-BA, que ainda não venceu na competição. O DOL acompanha o confronto através do Lance a Lance e do #TemJogoNoDOL, via Youtube, Facebook e Instagram.

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