Na manhã de ontem, mesmo sem programação oficial ou recomendações oficiais, milhares de pessoas foram às ruas no tradicional trajeto do Círio de Nazaré. Não havia berlinda, não havia corda, havia fé. Não foi a quantidade usual de pessoas que sempre enchem o caminho que separa a Catedral da Basílica, mas havia muita gente. Sem qualquer paralelo de quantidade, hoje uma multidão menor do que costuma ir aos jogos do Paysandu irá para a Curuzu, com devoção diferente, mas também cheia de fé. Depois de um ano e meio, a Fiel voltará a frequentar seu ”santuário” e com a firmeza inabalável de que verá uma vitória.
O intervalo de jogos sem torcida se deveu à pandemia de Covid-19. Ela ainda está no Brasil e todos os dias são quase 500 mortos, mas o índice vacinal na população nacional já é considerável e eventos esportivos passaram a ter autorização para o retorno gradual do público. Por enquanto, os jogos podem contar com 30% de sua capacidade. Até ontem, quase 4 mil ingressos já haviam sido vendidos para a partida de hoje, às 20 horas, contra o Botafogo-PB, na segunda rodada do quadrangular decisivo da Série C.
Depois do empate sem gols na primeira rodada, o Paysandu tem a chance de vencer em seus domínios e empatar na liderança com o Criciúma-SC, que ontem venceu fora de casa o Ituano-SP e chegou ao topo do Grupo C. entre jogadores e comissão técnica, há a certeza da necessidade de vencer para se igualar na liderança, assim como o mesmo sentimento de que o time bicolor estará bem mais forte com a providencial ajuda da massa.
“Estou há quase um ano aqui e será a primeira vez que jogarei com a torcida. A expectativa desse encontro é muito boa”, afirma o atacante Marlon. “Estou ansioso para que isso volte a acontecer. Até a torcida contra, como foi em Criciúma, foi interessante. Eu sou de Minas Gerais e sempre escutei da força do Paysandu e estou ansioso por esse reencontro”, completou o volante Paulo Roberto.
O técnico Roberto Fonseca prega que o momento é de foco total, sem economia de energia. “O jogo da vez é sempre o mais importante, ainda mais em uma fase como essa”, afirma o treinador, que espera esse fator extracampo para ajudar ao Papão. “Será um fator de extrema relevância. O adversário encontrará dificuldades aqui, pois a Fiel joga junto e nos apoia”.
Cria da base bicolor, Diego Matos sabe o quanto a torcida pode ser um diferencial a favor do Paysandu e admite que a saudade é grande. “É um sentimento de felicidade. Ficamos quase dois anos sem torcida nos estádios, a gente é jogador, sente falta do apoio. Então, a presença da torcida na segunda-feira vai ser fundamental para nos ajudar a sair com resultado positivo”.
E MAIS...
TABELA DETALHADA
- A CBF confirmou neste fim de semana a tabela detalhada dos jogos de volta da segunda fase da Terceirona. Já se sabia que o Paysandu encerraria o quadrangular em casa, agora houve a definição das datas e horários das próximas rodadas.
4ª rodada
Data Horário Jogo Local
23/10 17h Paysandu x Ituano-SP Curuzu
5ª rodada
31/10 18h Botafogo-PB x Paysandu Almeidão (João Pessoa)
6ª rodada
07/11 18h Paysandu x Criciúma-SC Curuzu
Diego Matos avisa que o time espera apoio do início ao fim
O lateral-esquerdo Diego Matos conhece a Fiel desde criança, antes mesmo de ser jogador de futebol. Profissional há três anos, em 2021 ele vem tendo sua melhor temporada tanto no desempenho quanto em sequência de jogos. “Graças a Deus vem sendo o meu melhor ano, não tanto pela minutagem, mas sim pelas boas atuações que eu venho tendo. Agora é procurar manter nesses próximos jogos e buscar sempre estar evoluindo”, comentou o jogador.
Para o jogo de hoje, mesmo sendo um dos mais jovens do time, ele passa a ser um dos mais experientes quanto à relação com a Fiel. Ele espera uma torcida que jogue junto com o time, apoiando quando necessário e cobrando também.
P Dentro do elenco do Paysandu você faz parte do grupo dos que conhecem intimamente a Fiel. O que os jogadores de fora e que ainda não jogaram com torcida perguntam sobre a arquibancada bicolor?
DM – O que a gente mais passa a eles é que podem esperar uma torcida fantástica, que incentiva do começo ao fim, que apoia e cobra quando tem que fazer. Acredito que a torcida será nosso 12º jogador em campo.
P Você vê o time bicolor em seu melhor momento desde o começo da Série C?
DM – Tivemos oscilações no decorrer da competição, mas acredito que crescemos no momento certo, o que é importante porque está chegando o momento do acesso.
P O que deve ser o diferencial do Paysandu para vencer um adversário que ganhou os dois duelos de 2021?
DM – Temos que manter o que vem sendo feito, manter nosso estilo e continuarmos a sermos agressivos, sem esquecer que o adversário é qualificado e vem para tentar vencer.
E MAIS...
PIOR ATAQUE
A principal dificuldade do Botafogo-PB na Série C tem sido o ataque. Entre os oito times da segunda fase da competição, o Belo tem o pior ataque com apenas 17 gols, cinco a menos que o Paysandu na primeira fase. Na falta de um homem de área, o técnico Gerson Gusmão
admitiu que o time alvinegro precisará se reinventar com o elenco que tem.
“Temos que seguir buscando alternativas para encontrar o caminho do gol. Como não temos um jogador de área, de boa estatura, vamos trabalhando com o que temos para conseguir o encaixe”, disse o treinador, que observou que as duas vitórias sobre o Papão na primeira fase pouco influenciam agora.
“Os jogos da primeira fase ficaram para trás. Temos que tirar daqueles jogos o que fizemos de produtivo e tentar repetir. Porém, nós sabemos que agora a fase é outra e muita coisa mudou”.
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