A frustração marcou a busca pelo acesso à Série B do Brasileiro por parte do Paysandu, que vai disputar a Terceira Divisão Nacional pelo quarto ano consecutivo em 2022. Na última quinta-feira (4), o presidente do clube, Maurício Ettinger, quebrou o silêncio na Curuzu, fez um balanço de tudo o que aconteceu com o Lobo na temporada e revelou o planejamento para 2022.
"Entendo perfeitamente o que o torcedor está sentindo, porque também estou sentindo. Entendo que a dor é grande. Esse ano procuramos estar perto das torcidas organizadas, demos espaço para conversar, mas não demos espaço para a torcida que não seja organizada. Vamos procurar dar esse espaço. Sei que esse momento passa, sei que a torcida vem para dentro, vai ajudar. Chamo a torcida para mais uma vez acreditar. O Paysandu não aguenta mais ficar na Série C. Pelo amor de Deus, esse ano vamos ter que subir, nem que eu entre em campo", destacou o cartola.
Após garantir a lanterna do grupo, o presidente bicolor postou uma carta em seu perfil no twitter se desculpando com o torcedor alviceleste e assumindo a responsabilidade do insucesso na temporada. Bastante questionado pela Fiel, o mandatário disse que não há ninguém mais triste do que ele após a não confirmação do acesso e frisou ser torcedor do coração do Paysandu.
"Com certeza tem alguém que sentiu mais o não-acesso do Paysandu do que eu, porque tem famílias aí que são três ou quatro gerações de torcedores e eu estou no Pará há 22 anos. Torço pelo Paysandu há 22 anos, é meu clube de coração. Agora, mais frustrado e mais impotente que eu, garanto que não tem nenhum, porque lutamos muito, fizemos as coisas certas. Chegou uma hora que queríamos fazer mais alguma coisa, mas não dava mais tempo. Então, uma coisa eu garanto, mais frustrado que eu e mais impotente com esse não acesso não tem ninguém", enfatizou.

BRIGA INTERNA:
"O torcedor tem a razão, porque é mais paixão do que emoção, mas sei que falta um pouco de paciência. Esse movimento não é geral. Acho que por trás tem uma parte política, porque, infelizmente, o Paysandu não está unido. Isso afeta muito o dia a dia. Enquanto o Paysandu não acabar essa guerra interna, com essa divisão política, isso será muito ruim. Parte desse ranço da torcida vem com um pessoal incentivando, puxando e aproveitando o momento".
SAÍDAS:
"Alguns jogadores, acho que dois ou três, pediram para sair porque já tem contrato com outros times do Paulista. Já querem se apresentar, já querem começar a treinar para lá. Nós estamos negociando a saída deles. A maioria dos jogadores tem contrato até 30 de novembro, alguns até dezembro, outros até o final do Paraense e outros até o final do ano que vem".
DERROTA PARA O BOTAFOGO-PB:
"Já tivemos uma conversa com o técnico, que era o Wilton (Bezerra), nosso auxiliar técnico da casa. A estratégia era segurar o jogo e tentar, com as substituições, fazer um gol em uma única bola. Infelizmente não deu êxito. Não concordei também com vários jogadores que pareciam que estavam enrolando, mas eu não podia entrar em campo. Foi isso, sentimos muito. Tivemos vários erros que identificamos desde o começo da temporada, que já estamos matando para não errar de novo. Mas esse jogo do Botafogo-PB era a chance que estava na nossa mão".
TRÊS TÉCNICOS E TERMINANDO O ANO COM AUXILIAR:
"Os treinadores que trouxemos cada um foi bom, excelente em algum sentido, mas nenhum completo. Alguns bons em formar grupo, outros bons tecnicamente, mas nenhum que conseguiu agregar tudo. Acho que é uma coisa que precisamos tomar cuidado. Tenho certeza que nesse próximo ano vamos perder um tempo maior na análise de cada jogador, procurando o que faltou, que é dar sangue por essa camisa, alguém que realmente queira jogar pelo Paysandu".
DEU TUDO ERRADO:
"Vinha falando desde o início do ano que precisávamos mudar alguma coisa no quadrangular. Tinha certeza que iríamos classificar desde o começo do ano, não esperava em primeiro. A maioria dos times da Série C tudo igual, mas nós chegamos em primeiro. Foi muito bom, mas tínhamos que fazer alguma coisa. O Roberto Fonseca, chegou a hora que nós dispensamos ele. Não porque não estávamos gostando do serviço dele, mas tínhamos que mudar alguma coisa. Infelizmente continuamos igual, continuamos até pior sem ele".
PLANEJAMENTO COM ÍTALO RODRIGUES:
"Entendemos que fizemos a coisa certa, porque procuramos dar o melhor, ou seja, fomos trazer um executivo que foi eleito o melhor do Nordeste. Foi um cara que veio, ajudou a montar o time e hoje está aí no CSA, quase pra subir. Entendemos que foi a escolha certa. Junto com ele, um elenco onde vários jogadores que vieram foram aplaudidos pela imprensa, pelos torcedores, por nós, mas não deu a liga certa".
RESPONSABILIDADE:
"Digo que eu sou culpado porque quem escolheu o executivo foi eu, quem autorizou a chegada do técnico foi eu, quer dizer, eu e a comissão, mas eu poderia ter brecado, sou o mandatário principal. A culpa tem que puxar para mim. Pareceu para nós a melhor escolha. Fomos criteriosos, talvez não tanto com os jogadores".
AMOR PELO PAYSANDU:
"Lógico que é amor, é muito amor, senão eu não estaria sentado aqui. Todos sabem que eu tenho meus negócios. Esse ano abdiquei de estar direto nos meus negócios e com a minha família para estar sentado aqui. Então, isso demonstra o amor que eu tenho por esse clube".
PORTÕES FECHADOS CONTRA O CRICIÚMA:
"Não foi vontade do Paysandu. O Ministério Público pediu, a polícia apoiou. O nosso vice estava na reunião, pediu para a Federação e a federação consentiu, a CBF consentiu e eles jogaram para nós. Perguntaram se queríamos assumir a responsabilidade, falei que não, não vou assumir a responsabilidade sozinho contra o Ministério Público, contra a polícia, contra todo mundo para ter público. Lógico que a minha vontade era ter público para diminuir o prejuízo que eu vou ter, mas, em parte de tudo que aconteceu, a gente optou por seguir a recomendação do Ministério Público e da Federação também".
EXECUTIVO DE FUTEBOL EM 2022:
"Ontem tivemos uma reunião do grupo que apoia o futebol. Optamos por ter um executivo, mesmo porque, deixando bem claro, ninguém da nossa diretoria é remunerado aqui no Paysandu, todos trabalham sem um centavo de remuneração e também tem os seus afazeres para poder sobreviver. O modelo que o Paysandu vinha tendo era de ter o executivo e ter um diretor de futebol, que seria um sócio abnegado que estaria aqui. Infelizmente, não tem nenhum sócio abnegado que venha trabalhar de graça para ser diretor de futebol. Então, vamos ter um executivo de futebol que vai cuidar dos processos, vai cuidar da integração de todos os departamentos ligados ao futebol".
O EXECUTIVO SERÁ UM EX-JOGADOR:
"Ele (o executivo) vai coordenar todos os processos, vai ajudar a formar o elenco, mas a gente vai ter no ano que vem um coordenador técnico de futebol remunerado. Vai ser um ex-jogador de futebol, não sabemos se daqui ou de fora. Lógico que a preferência por ter um daqui, mas queremos alguém que some com o Paysandu, que se dedique ao Paysandu. Vai ter um coordenador técnico que vai fazer a integração da presidência com o futebol, com vestiário, com o técnico, com o próprio diretor executivo, que vai cuidar dessa parte dos processos. Esse vai ser o esquema que vamos trabalhar no ano que vem. Um diretor executivo, que vai cuidar dessa parte dos processos, e um coordenador técnico, que vai estar direto no vestiário, vai viajar com o time, ser o elo de ligação para ver se os jogadores estão dando sangue que queremos pelo Paysandu, para ver se o técnico está fazendo o que esperamos do Paysandu. Vai ter essa função nova".
ESCOLHA DE TÉCNICO:
"Cada vez que vamos escolher o técnico, tem cinco ou seis nomes na mesa. Primeira coisa é a responsabilidade de não estourar o nosso orçamento, isso é fundamental para nós. Apresentamos o orçamento e temos que seguir ao máximo. Até tive uma reunião com todos os conselheiros e falei 'a nossa folha que está no orçamento é 500 mil e eu estou contratando 700 mil, porque eu já arrumei dois patrocinadores de 200 mil, então eu sei que eu posso pagar os 700 mil'. Está aí, não estamos com a folha atrasada. Então, vários nomes que colocamos na mesa e discutimos com todo mundo".
AS CONTAS:
"Se Deus quiser, o Arinelson não vamos ter em 2022. Devemos pagar essa semana a antepenúltima, depois vão ficar faltando duas que esperamos pagar até o final do ano e encerrar a dívida. Temos o Antônio Carlos Dezelli, se não me engano é fevereiro, e nós estamos pagando R$ 25 mil por mês para a 6ª vara da Justiça do Trabalho por reclamações antigas que estão caindo para um centralizador. Do ano passado para cá, quem foi dispensado, não estamos recebendo nenhuma ação trabalhista. Tivemos as que foram em 2019 ou quem foi dispensado em 2020. Estamos cumprindo com todo mundo com atraso, mas conversando. Vamos encerrar os contratos agora, procurando não ter mais nenhuma dívida trabalhista nova. As antigas, estamos pagando com esse centralizador negociado na Justiça do Trabalho. Diria que a dívida trabalhista está equacionada dentro do Paysandu. Quanto a BWA, a gente contratou um advogado de São Paulo, como eu já tinha falado. A gente tem duas dívidas lá, uma de R$ 1,2 milhão, outra de R$ 900 mil, as duas passam de R$ 2 milhões. Já tivemos mais ou menos uns R$ 300 mil de bloqueio que ainda está retido na justiça, mas não foi repassado e estamos tentando diminuir e retornar alguma coisa para o clube".
PAYSANDU É DO POVO:
"O clube não é meu. Quando eu assumi, deixei ele bem aberto para todos. Tive reuniões e o clube continua aberto para quem tiver boas intenções e quiser ajudar, não para pessoas que aproveitam esse momento difícil para se lançar ou para criticar o time como vimos por aí".
COPA VERDE:
"Estamos numa reunião hoje com o pessoal da comissão técnica pra analisar se tem algum alguns jogadores vão querer ir embora antes da Copa Verde para decidir qual é o time que vai enfrentar (o Castanhal). Nós vamos enfrentar de maneira séria. Entendemos que a Copa Verde é um campeonato sério e vamos participar tentando a vitória".
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