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TOLERÂNCIA ZERO

Bicolores ignoram lei e voltam a entoar cantos homofóbicos

Após o gol de empate do Clube do Remo, atacante Neto Pessoa foi chamado de "viadinho" pelos torcedores do Paysandu. Os paraenses talvez não lembrem, mas há uma lei contra homofobia que impede tais cantos. E lei, caros leitores, se cumpre ou se arca com as punições.

quinta-feira, 02/12/2021, 13:20 - Atualizado em 02/12/2021, 16:18 - Autor: Diario Online


Imagem ilustrativa da notícia: Bicolores ignoram lei e voltam a entoar cantos homofóbicos
| Foto: John Wesley/Paysandu

"Remista é gay, é gay, é gay!". Este é o trecho de uma "canção" entoada de forma agressiva por uma torcida organizada do Paysandu, seguida por outros torcedores. Esta é a frase inicial também de uma reportagem publicada aqui no DOL, em agosto de 2019, antes dos confrontos decisivos do Papão contra o Náutico pela Série C daquele ano.

A reportagem, ampla e atenta ao que ocorre nos estádios e na vida como um todo, alertava não apenas para a necessidade de maior desenvolvimento (humano, inclusive) de quem utiliza termos homofóbicos de modo ofensivo, mas também para o quanto tais atos (lamentáveis, sempre bom enfatizar) podem gerar punições aos clubes.

Na época, após a reportagem "Alerta! Paysandu pode perder pontos e ser eliminado da Série C caso a torcida repita cantos homofóbicos", a Torcida Bicolor até mesmo se posicionou, em uma nota correta e com discernimento dignos de parabéns, destacando que não cantariam mais tal "canção" e que a torcida passaria por um processo de reformulação de suas músicas. Relembre: 

Pois bem, após isto, o Paysandu empatou com o Náutico em casa (e não houve canto homofóbico entoado no Mangueirão), Leandro Vuaden fez o que fez no dia 08 de setembro de 2019, seis meses depois "o mundo acabou" com a pandemia, as torcidas ficaram afastadas dos estádios, inúmeras outras coisas ocorreram... Muitas coisa mudou, você sabe. No entanto, duas não: os lamentáveis cânticos e, principalmente, a lei.

Sim, você pode reclamar, chamar de "mimimi" ou outro termo, mas, na prática, as opiniões não importam. Lei, caros leitores, podem até ser discutidas em conversas de bares e botecos, mas depois se silencia. E se cumpre.

A lei em questão é, especificamente, o inciso V do artigo 13-A da lei 10.671/2003, que prevê punição:

 

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Na última quarta-feira (1º), no primeiro Re-Pa da semifinal da Copa Verde, a mesma organizada cometeu tal ato mais uma vez. No entanto, os gritos homofóbicos - mais uma vez: criminosos, independente do ambiente em que se esteja, mas, neste caso, nos estádios, infelizmente voltaram a ser comuns, talvez por certo "esquecimento" de como se deve se portar em um estádio. 

Outro detalhe que chamou bastante a atenção e que gerou muitas críticas após o clássico realizado no estádio da Curuzu, ocorreu no momento em que o Clube do Remo chegava ao seu gol de empate. Após realizar a cobrança de pênalti, o atacante Neto Pessoa foi chamado de "viadinho, viadinho", pelos torcedores do Paysandu. O ato homofóbico não foi citado pela arbitragem na sumula da partida.

LEIA A MATÉRIA DE 2019: Alerta! Paysandu pode perder pontos e ser eliminado da Série C caso torcida repita cantos homofóbicos

RELEMBRE: CASO NICOLAS

No dia 15 de novembro, o Leão entrou em campo contra o Goiás, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série B. O clima já não era muito bom no Baenão, e piorou quando um grupo de torceres começou a proferir ofensas de cunho homofóbico a Nicolas ex-Paysandu e agora atacante do Goiás. No jogo, o Leão saiu derrotado por 1 a 0.

ARBITRAGEM NÃO REGISTRA NA SÚMULA

Após o ocorrido, o assunto virou notícia em veículos de comunicação de todo o país, que condenavam práticas desse tipo. No entanto, a arbitragem da partida na época, assim como a do Re-Pa desta quarta (2), não colocou na súmula do jogo tais acontecimentos, o que sugere, no mínimo, uma falsa sensação de "normalidade” perante a um assunto tão complexo e que merece total atenção.

Se a arbitragem "não ligou", a diretoria de Goiás e também do Clube do Remo (depois de algum tempo), colocaram o acontecimento em pauta, com notas oficiais e postagens nas redes sociais.

Sobre este caso, conversamos com o Advogado especialista na área desportiva, Dr. Renan Pinheiro, e segundo ele, o clube pagaria apenas multa, e não sofreria perda de pontos nem mandos de campo: "Eu acredito que no máximo, pode ocorrer uma pena de multa ao clube, pois, dentre outros motivos, isso é um processo que ainda está sendo implementado, para a mudança dessa questão de cunho sociocultural presente no Brasil", disse. 

TOLERÂNCIA ZERO!

No ano de 2019, o STJD divulgou um ofício direcionado aos clubes brasileiros para avisar que as agremiações seriam punidas por atos de homofobia dentro dos estádios.

Esse tipo de ação se enquadra no artigo 234-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que fala sobre ofensas homofobias e raciais. E a pena, pode variar entre perda de pontos, mando e também multa.

NÚMEROS PREOCUPANTES

No Brasil,  LGBTfobia é uma questão urgente a ser tratada. Segundo Relatório: Observatório de Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil, produzido pelo Grupo Gay da Bahia, em 2020, 237 LGBT+ tiveram morte violenta no nosso país, vítimas da homotransfobia: 224 homicídios e 13 suicídios.

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