A década de 70 para o Clube do Remo é marcada até hoje como a mais gloriosa na centenária história da equipe, sendo até hoje lembrada e até mesmo exaltada pelos torcedores azulinos. Nesse período, o Leão Azul conquistou o tricampeonato Paraense de maneira invicta nas temporadas de 1973, 1974 e 1975, ficou 24 jogos sem perder para o maior rival, o Paysandu - segundo maior série de invencibilidade do confronto - e épicas participações nas disputas da Série A do Campeonato Brasileiro, nos anos de 1972, 1975, 1976 e 1979.
Com o ótimo desempenho da equipe, vários jogadores deixaram seus nomes gravados na história do Filho da Glória e do Triunfo. O folclórico atacante Alcino foi o artilheiro das três edições do Parazão. O “Negão Motora”, como era apelidado, com 159 gols, constitui-se no segundo maior artilheiro da história do clube. Nos anos de 1977, 1978 e 1979, o atacante Bira se destacou, com 93 gols. Goleiros Dico e Edson Cimento, se notabilizaram no gol remista, o lateral direito Aranha conquistou a honrosa bola de prata em 1972, tal qual Edson Cimento em 1977, assim como Mesquita que era o cérebro da equipe, desfilando seu talento nos gramados.
Norte-Nordeste : Clube do Remo comemora conquista de 50 anos
Embora esta formação montada com Dico; Rui, Cuca, Marinho e Adérson; Elias, Mesquita e Nena; Alcino, Amaral e Caíto, seja lembrada na ponta da língua pelos torcedores, mesmo passados quase 50 anos, o Clube do Remo pouco realiza reencontros para que os históricos atletas possam relembrar os gigantescos feitos conquistados vestindo o manto azul-marinho. No entanto, por ocasião da semana do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, o lendário goleiro Dico realizou a reaproximação de alguns dos integrantes do "Timaço da Vitória". Além dele, o então meia, e hoje médico, doutor Aderson Lobão, organizou a vinda dos ídolos para a capital paraense.
No encontro, estiveram presentes: Dico, Marinho, Dutra, Darinta, Aderson, Mego, Zezinho Macapá. Dos que não estavam em Belém ou não puderam comparecer, casos de Mesquita e Júlio César ‘Uri Gheller’ – este, direto do Rio de Janeiro, fez questão de enviar mensagem aos companheiros recordando os bons momentos. Ronaldo Passarinho, que foi gestor naquele Remo (e em outros também), se manifestou sobre as homenagens. “Meu agradecimento a todos, especialmente ao Dico e ao Aderson, este o grande receptáculo das gloriosas passagens pelo Filho da Glória e do Triunfo. No ocaso de minha vida recebi o melhor presente: a reafirmação da amizade que perdura imaculada há décadas”, relatou, emocionado.
Ronaldo foi saudado juntamente com Paulo Motta, que participou como médico do clube nas campanhas vitoriosas daquele time que teve o comando técnico de Joubert Meira e Paulo Amaral. Mestre de cerimônias, Aderson exibiu um vídeo com imagens nostálgicas, puxando um tributo especial aos companheiros que já partiram. Uma curiosidade: o encontro teve a presença, muito festejada, do alviceleste Beto, que imortalizou a meia-cancha bicolor dos anos 60 ao lado de Quarenta. Nada mais simbólico do espírito de amizade e acima de rivalidades, afinal todos ali são essencialmente desportistas.
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