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ESPORTE PARÁ

Filho tatuou nome do pai junto ao escudo do Leão

O filho tem o nome do pai e o escudo do Remo tatuados. O pai estava disposto a reprovar o gesto, pois não sabia o teor da homenagem. Ao saber, ficou ‘caladinho’, como disse o filho. O filho vai para arquibancada, pula, chora, xinga, perde a voz e discu

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O filho tem o nome do pai e o escudo do Remo tatuados. O pai estava disposto a reprovar o gesto, pois não sabia o teor da homenagem. Ao saber, ficou ‘caladinho’, como disse o filho. O filho vai para arquibancada, pula, chora, xinga, perde a voz e discute até com jogador em treino. O pai vai para o setor das cadeiras, é mais discreto, capaz de assistir um Re-Pa rodeado por bicolores e... “Nem ser reconhecido”, garantiu. O filho é alucinado por Landu. “Sou louco por ele. Acho que ele é inocente no que faz, no que fala”, diz. O pai discorda e prefere citar os ídolos do passado. “O Alcino foi um ídolo. O Chico Monte Alegre, o Xuxa”, lembra, saudoso.

O filho, curioso para desvendar esses e outros nomes, foi ao Centur. Passava horas pesquisando sobre a história do clube, tirou cópias do que foi possível. É um ‘expert’ em Remo das décadas de 60, 70 e dos dias atuais. O pai não precisa vasculhar a bibliografia. Ele já sabe. Inclusive, foi um dos responsáveis por tentar dar responsabilidade a Alcino, para muitos, o maior da história do Remo. “Viajava com a delegação. Dormia na concentração. O Manuel Ribeiro (ex-presidente do clube) pedia para cuidar do negão”, revela.

Idolatria ou seria um pouco de loucura? Ele já deixou a mulher no leito da maternidade por duas vezes. O motivo? Uma certa camisa azul-marinho. “Dei uma passada lá e não fiquei muito. Não sou médico! Meus dois filhos nasceram justamente numa quarta-feira, dia de jogos do Remo”. Ele foi assistir ao Leão, enquanto a mãe ainda sentia as dores do parto. “Me deixou lá”, brinca, o filho.

O filho é Lucas Sampaio, 19 anos, estudante de direito. O pai é Expedito Nogueira, 57 anos, empresário. As diferenças, por ora, terminaram. Agora, surgem as coincidências... São tão capazes de ir para Recife, quanto ir para Vigia, Santa Izabel e Ponta de Pedras, para torcer por um pavilhão, um ideal. São sócios-torcedores. E acordarão cedo na manhã de hoje para abrir o restaurante da família.

Às 15h, abandonarão o trabalho e partirão com destino ao Mangueirão. Às 16h, estarão apreensivos, cada um do seu jeito, com a bola rolando para Remo e América (AM) pela Série D. “Passei o meu amor pelo Remo ao meu filho. Quero saúde para ir longe e continuar assim”, diz Expedito. Lucas, com o presente do pai comprado desde sexta-feira, quer saúde para gritar por mais uma vitória. Seria o Dia dos Pais ideal. (Diário do Pará)

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