A polêmica tentativa de rescindir o contrato de Moisés do Paysandu ganhou mais um capítulo ontem. A reportagem do Bola foi procurada pelo representante da GR Sports (empresa que agencia a carreira do atleta em Belém), Emerson Dias, para esclarecer os motivos que levaram os advogados da firma a impetrarem uma reclamação trabalhista contra o Papão. Segundo Dias, o descontentamento da empresa e do jogador com o clube já se arrastava desde o Campeonato Paraense, quando o presidente Luiz Omar Pinheiro fez a primeira investida para tentar a renovação contratual de Moisés de forma direta, sem intermediários. Na época Moisés relutou, mas, depois acabou assinando o documento, estendendo seu compromisso com o clube até 2014, sendo que o setor jurídico da GR só tomou conhecimento do teor quando o jogador já havia assinado tudo.
Bola: Além dos motivos que constam na reclamação trabalhista, existem outros para que o Moisés tenha tomado essa decisão?
Emerson: O Paysandu chamou o atleta para assinar a renovação sem a presença do representante da empresa. O clube sabe que o jogador tem um representante e a empresa até tinha pedido uma renovação de contrato com reajuste salarial, mas não tivemos retorno. Estávamos sendo parceiros, quando aparecia proposta a gente levava ao conhecimento deles, mas, na hora de renovar, não nos chamaram.
B: Qual a reação do Moisés com isso tudo?
E: Da primeira vez que o Luiz Omar tentou renovar o contrato, o Moisés disse que levaria para o advogado da empresa analisar e o presidente ficou chateado e rasgou o documento. Isso aconteceu quando terminou o primeiro turno do Paraense.
B: Muita gente tem dito que a empresa quer passar o Paysandu pra trás...
E: A gente queria ser parceiro do clube, ninguém tentou passar o Paysandu para trás, pelo contrário, quando as propostas chegavam, repassávamos para eles.
B: Os descontos previdenciários do salário dele não foram quitados mesmo? Vocês garantem isso?
E: Na Justiça do Trabalho o jurídico apresentou tudo, inclusive temos cópias autenticadas. Quem tem que garantir agora é a justiça. Se vai ou não, dia 26 a gente tem uma posição.
B: Qual a posição do Magnum (um dos sócios da empresa) sobre as acusações do Luiz Omar?
E: Ele viu pela internet que o presidente chamou-o de vagabundo, isso não é bom. O Paysandu tinha um débito com ele, e quando ele chegou a Belém abriu mão disso em retribuição ao clube. Essas colocações o deixaram chateado, o presidente não vai denegrir a imagem dele. Hoje (ontem) ele tentou conversar com o Luiz Omar, não sei se conseguiu.
B: E os outros jogadores do clube que são vinculados à empresa?
E: Cada caso é um caso, o Jenison também nós levamos proposta para o presidente que recusou, nem por isso tomamos a mesma atitude de agora. A questão do Flamengo foi o próprio clube que anunciou e expôs a notícia.
B: Como está o Moisés?
E: Ele está bem. Treinou com o grupo, o carro da empresa foi levá-lo e depois foi buscar. (O departamento jurídico do Paysandu orientou que Moisés não treinasse separado do grupo).
B: Ele vai mesmo para o Santos?
E: Primeiro vamos resolver essa situação. Depois a gente resolve o destino do atleta.
B: Teria condições de haver acordo e ele permanecer no Paysandu?
E: A relação ficou desgastada, até com o próprio torcedor. Qualquer erro dele vão achar que foi porque o clube não quis liberá-lo. Como o próprio Luiz Omar afirmou, o ambiente não é favorável ao Moisés. (Diário do Pará)
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