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ESPORTE PARÁ

Presidente derruba escudo e pode sair do Remo

O escudo da entrada do Baenão foi retirado a mando de Klautau O escudo do Clube do Remo de aproximadamente 75 anos, que decorava um pilar do estádio Evandro Almeida, mais próximo à Avenida Almirante Barroso, foi posto ao chão. Foi o início da descaract

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O escudo da entrada do Baenão foi retirado a mando de Klautau

O escudo do Clube do Remo de aproximadamente 75 anos, que decorava um pilar do estádio Evandro Almeida, mais próximo à Avenida Almirante Barroso, foi posto ao chão. Foi o início da descaracterização do Baenão, fato ocorrido no fim da noite da última segunda-feira (23). Uma medida tomada pela presidência do clube. Na verdade, uma estratégia para as áreas administrativas e jurídicas e que revoltou a comunidade remista.

Amaro Klautau, presidente do Remo, argumentou que, a partir da negativa da Secretaria Estadual de Cultura (Secult) sobre o pedido de tombamento do estádio, a área estava sujeita a especuladores dispostos a adquiri-la a preços abaixo da realidade imobiliária, utilizando como tática a compra por meio de leilões. “Com o processo de tombamento indeferido pela Secult, que nos prejudicou bastante durante seis meses, então, é importante descaracterizarmos o imóvel para evitar especulação a preços aviltantes”, discursou.

Para o mandatário, a Justiça do Trabalho está prestes a vender o bem do clube. De acordo com ele, o prazo de dois meses, dado para que as questões internas do clube fossem solucionadas, expirou. “O Clube do Remo não tem o poder de autorizar ou desautorizar a justiça. Não há esse poder constituído para desautorizar”, comentou.

“Não conseguimos concluir o processo de negociação”, lamentou Amaro Klautau, sobre a transação com as construtoras interessadas em adquirir o imóvel para pôr em prática um projeto imobiliário. “Primeiro, em fevereiro, o Conselho Deliberativo aprovou a demolição (do Baenão)’ para empreendimentos e, assim, resolvemos tirar o escudo para que não houvesse mais impedimentos de negociações futuras”, explicou o presidente. Para Klautau, a principal bandeira da sua administração segue possível. “ainda há tempo para uma proposta nova de negociação do Baenão”, concluiu.

>> Beneméritos se revoltam

“Considero uma afronta ao Remo e ao Pará, pois caiu um símbolo”, afirmou Ronaldo Passarinho, grande benemérito do clube. Passarinho foi um dos mentores de uma reunião com outros grandes remistas para avaliar os efeitos após a medida da presidência do Remo. O encontro aconteceu na sede social do clube por volta das 18h30 de ontem. Além de Passarinho, estavam presentes Ubirajara Salgado, Arthur Carepa, Vinícius Oliveira, Djalma Chaves além de Jorge Hage e Sérgio Cabeça – estes dois últimos representados.

A reunião durou aproximadamente uma hora e só teve fim depois da interferência de Antônio Carlos, primeiro secretário do Condel. Ele avisou que está agendada uma reunião na próxima segunda-feira (30) para todos os integrantes do Conselho. “A principio, iríamos reunir para tratar de assuntos como a modernização do estatuto. Mas, esse assunto (da queda do símbolo) vai dominar a pauta, agora”, explicou Antônio Carlos.

“Na reunião de segunda-feira, colocaremos em pauta este assunto, porque entendemos que o fato é de extrema gravidade”, classificou Passarinho. “Não se faz isso com o símbolo de um clube, como não se faz com o símbolo de uma pátria, como não se faz com um símbolo do estado do Pará. Isto beira a irresponsabilidade, mas será abordado no fórum competente.

>> Impeachment não é descartado

No entanto, uma suposta providência dos grandes beneméritos teria vazado. Segundo uma corrente de informações, o grupo chegou a discutir a possibilidade de pedir o impeachment do presidente Amaro Klautau. Passarinho desconversou e, com a insistência da reportagem, acabou expondo que não está descartada a saída prematura de Klautau. “Chegamos a discutir sobre tudo. Quero dizer claramente: não vou antecipar as providências”, ponderou, contudo, declarando que o impeachment é um assunto das rodas de bate papo de azulinos. “Nos já recebemos a solicitação de grandes beneméritos neste sentido. Até como advogado, não vou antecipar a providência”, garantiu. Klautau foi eleito para o biênio 2009-2010.

“Há uma série de medidas que podem ser tomadas. Nos, grandes beneméritos, não temos o poder de tomar nenhuma decisão sem o Conselho Deliberativo. O que faremos é ver quais são os danos e vamos visitar para ver como ficou. E assim, vamos propor as providências no conselho deliberativo, que é o órgão máximo do Clube do Remo”, encerrou, oficialmente. Antes, de forma exclusiva ao Bola, Passarinho disse que foi informado da situação por torcedores do clube, que estranharam a ausência do escudo azulino no Baenão e acrescentou um dado. “Nenhum clube de massa sobrevive sem títulos. Estamos numa situação trágica e isso resulta na ausência de torcedores”, frisou. Ironicamente, ele assegurou que foi um dos apoiadores da candidatura da atual gestão remista.

Na sede social, também estava presente o conselheiro Benedito Sá, candidato derrotado a presidência do Remo. A respeito do impeachment, o promotor público opinou. “É uma possibilidade. A outra é desautorizar a venda do Baenão”, explicou.

>> Em amistoso, goleada fácil

O Remo versão B obteve mais uma vitória nos amistosos que intercalam os jogos do Campeonato Brasileiro da Série D. Dessa vez, a vítima foi d e Tomé-Açu, adversário de ontem à noite no Baenão. O placar final foi de 5 a 2. Para o Leão, foram três gols com assinatura do centroavante Frontini, além de tentos do zagueiro Márcio Nunes e do atacante Alan. A seleção de Tomé-Açu descontou por intermédio de Caio e Belém. De acordo com o borderô, foram 206 pagantes.

Giba avaliou os efeitos do jogo-treino. “Foi bom, estamos aproveitando todos os atletas dentro do elenco”, disse. O treinador do Remo ainda comentou o momento do grupo, após o primeiro tropeço no nacional. “Estamos dentro do que planejamos, tudo sob controle. Classificamos em primeiro lugar e hoje (ontem) já começou a avaliação física dos nossos atletas. Chegaremos melhores para a fase seguinte”, vislumbrou. Giba, por fim, não se disse pressionado com o excesso de críticas. “A crítica é natural. Faz parte do futebol. Eu aceito as críticas. Sou um profissional trabalhador. Onde não há críticas, não há progresso”. (Diário do Pará)

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