Uma história de amor e ódio, temperada com pitadas de suspense e emoção. O protagonista desse enredo é um jogador de origem humilde, com sede de mostrar seu futebol, algo que já conseguiu no Pará e agora tenta em âmbito nacional. Do garoto que treinava na periferia de Belém, o atacante Moisés se viu no meio de uma das maiores polêmicas do futebol regional nos últimos tempos. Seduzido pelo convite a ser emprestado ao Santos e tentar ser um dos ‘meninos da Vila’, viu o anseio virar pesadelo desde que optou por reclamar na justiça sua rescisão contratual do Paysandu.
Até aí, não há novidade, mas o desfecho disso deve ganhar ares de romance dramático. Explica-se. É que depois do rompimento parcial com o Paysandu, que lhe custa uma ‘geladeira’ desde 7 de agosto, quando jogou contra o Fortaleza, pode chegar ao fim. O atleta que não tinha cabeça (sic) para participar das partidas da Série C estaria disposto a passar por cima disso, no momento em que o clube precisa, e disputar a partida com o São Raimundo no próximo domingo. O desejo tem o aval do presidente Luiz Omar Pinheiro, que dá sinais de que a mágoa sobre a rebeldia de Moisés pode sim ser superada.
No meio do desejo mútuo existe a audiência trabalhista de quinta-feira (2), que pode selar o final dessa história. Se liberado pela justiça do compromisso com o Papão, estaria ele disposto a ficar assim mesmo e fazer as pazes com a Fiel bicolor? Caso tenha a reclamação indeferida, Moisés seria aceito de bom grado de volta ao time titular?
O técnico Charles Guerreiro conversou ontem de maneira informal com os jornalistas e disse que apesar da intenção, Moisés terá que reconquistar seu espaço nos treinos, inclusive o carinho da torcida, dando indícios de que não haverá regalias, caso ele fique. Enquanto isso, já há quem sonhe com o artilheiro se redimindo de qualquer pecado e trazendo a classificação alviceleste dentro da Curuzu, fazendo o que mais sabe: gols. Será mesmo que Moisés vai “estacionar” pelo Leônidas Castro? Será preciso aguardar o último ato do espetáculo!
Campanha não mascarou problemas
Os dois empates do Paysandu com o Fortaleza e a derrota para o Águia, mostram que a briga na chave A pelas duas vagas das quartas-de-final ficou mesmo polarizada entre esses três times. Os próximos adversários do Papão, o São Raimundo, dia 5, e o Rio Branco, dia 19, beiram o rebaixamento, portanto, jogos teoricamente mais fáceis. Contudo, o discurso na Curuzu é que serão duelos difíceis.
O meio-campista Marquinho afirma que o clima é de final de campeonato. “Não é por que perdemos os jogos que vamos baixar a cabeça. É uma decisão, a responsabilidade cresceu mais ainda depois desse jogo com o Águia”, afirma. Questionado se a campanha dos primeiros jogos mascarou eventuais problemas na equipe, Marquinho acredita que não. “As coisas estavam dando certo. Futebol é resultado e nós tivemos dois adversos, mas estamos no caminho certo”, afirma.
Time completo e caldeirão: sinônimos de confiança
A reapresentação do Paysandu aconteceu na tarde de ontem, na Curuzu. O friozinho pós-chuva serenou os ânimos e o clima descontraído predominou. Os poucos torcedores que compareceram apenas assistiram ao exercício dos jogadores, nada de críticas sobre a primeira derrota do clube nessa Série C. A confiança tem motivo, para o jogo com o São Raimundo, no domingo (5), Charles Guerreiro joga em casa e está muito bem servido, pois além da possibilidade de ter Moisés no ataque, já tem confirmada a volta dos três desfalques do último jogo: Paulão, Sandro e Fabrício.
O retorno do trio é mais um fator que os bicolores apostam para que, dessa vez, a classificação à próxima fase não escape. Pelo menos é o que afirma o lateral direito Bosco. “Vai acrescentar muito. Tenho certeza de que vai dar resultado isso, o nosso time continua forte com os jogadores que entram, mas, com os que estão na equipe desde o começo é diferente”, reconhece.
Bosco usa o mesmo fator de motivação que o Águia teve na partida do último sábado, para avisar que agora é a vez do Papão se valer de seu ‘caldeirão’. “O nosso time pegou um modo de jogar na Curuzu que aperta o adversário, a gente tem que voltar a isso. Temos que vencer, não tem mais para onde correr”, reitera.
A opinião é compartilhada por Marquinho, que enumera os benefícios de jogar em casa. “É a maneira mais fácil da gente conseguir a nossa classificação. Quando você joga no Mangueirão favorece as duas equipes, mas ali, na Curuzu, facilita bastante com o apoio da torcida, as dimensões serem menores, treinamos lá todo dia, além da gente fazer uma marcação forte e sair rápido para o contra-ataque”, lista. (Diário do Pará)
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