Reunião que discutiria venda do Baenão terminou sob protestos de torcedores. De preto, o grande benemérito do Remo, Artur Carepa, anunciou que estava de luto. Lamentava a ‘morte’ anunciada do estádio Evandro Almeida, o Baenão, consumada após a negociação com o grupo Agre e com a anuência da presidência do Remo e da Justiça do Trabalho. “Fico pensando no nosso adversário que não está com esse problema”, disse, iniciando o primeiro e único discurso da plateia de conselheiros, beneméritos e grandes beneméritos. “Tudo o que se fala para mim aí, não tem valor. Não aceito que com R$ 18 milhões se faça um estádio”, concluiu, após a apresentação de um vídeo com as explicações da juíza Ida Selene, que autorizou a transação do bem remista sob pena de perdê-lo via leilões, motivados por dívidas do clube que beiram R$ 8 milhões.
Felício Araújo Ponte e Altemar Paes, respectivamente, presidente e vice do Condel, dirigiram a reunião. Além deles, a mesa estava composta pelo vice-presidente do conselho diretor, Orlando Frade. Frade substitui Amaro Klautau, presidente do Remo, que viajou a São Paulo a convite do Corinthians (SP) e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Aliás, foi a ausência de Klautau que resultou numa atitude de Carepa. “Vou me retirar da reunião em protesto contra a ausência dele”, frisou.
A saída do grande benemérito, responsável por um dos quatro votos contrários do conselho à negociação do Baenão, precedeu um tumulto. Do lado de fora da sede social azulina, por volta das 20h20, carros com sons do hino remista trouxeram manifestantes. Faixas pedindo o impeachment e classificando Klautau como mercenário foram expostas na sede social do Remo. José Ronaldo, da Trovão Azul, foi o porta-voz do grupo. “O Baenão é nosso”, declarou, revoltado. Depois, José Carlos marcou presença na reunião do Condel. Assustado com a manifestação, os remistas paralisaram a reunião. Até que Felício Pontes resolveu suspendê-la. “Encerrei e vou remarcar para quando o presidente voltar. Isso aqui está um barril de pólvora”, admitiu o homem forte do conselho.
Conselheiros em pé de guerra
A confusão só foi amenizada com a presença de policiais. Com o aparato, os integrantes do Condel se sentiram mais seguros. Mesmo assim, o clima dos bastidores permaneceu quente. Orlando Frade argumentava que faltava informação à oposição, sobretudo com relação ao questionamento de que com R$ 18 milhões não se construirá a Arena do Leão. O vice-presidente do Leão defendeu a sua análise lembrando-se da Ata, assinada por Remo, Justiça do Trabalho e as construtoras. De acordo com ele, as empresas terão que fazer e entregar o estádio na forma relatada pelo projeto da Arena do Leão. “Independente do valor”, declarou.
Já o benemérito Ronaldo Passarinho classificou como covarde a ausência do presidente Amaro Klautau. ”Ouvi o presidente do Paysandu (Luiz Omar Pinheiro) dizer que só viajaria amanhã (hoje) para o mesmo evento. É muita coincidência o presidente do Remo viajar quando está marcada a reunião do Condel”, enfatizou. Passarinho estava com uma edição do Bola para mostrar que uma bandeira do Paysandu acabou tomando o espaço do escudo do Remo – derrubado da área do Carrossel para descaracterizar a área. Ele também reclamou da forma como foi conduzida a entrevista com a juíza Ida Selene. As declarações da magistrada foram expostas num vídeo, antes do tumulto. “Foram perguntas dirigidas”, acusou. “Tenho saudade do tempo em que só falava nos autos (do processo)”, afirmou. Ronaldo Passarinho não se disse contrário à venda do Baenão, considerou, no entanto, uma atitude equivocada da presidência. “Acho, apenas, que não estamos vendendo. Estamos entregando o Baenão!”
O benemérito Paulo Mota lastimou a forma como a transação foi conduzida. “Quero ver o memorial descritivo, quero ver tudo de forma clara. Isso não está acontecendo”, considerou. “Lamento também a armação com marginais para acabar a reunião”, encerrou.
Na confusão, sobrou até para ex-presidente
Com um documento na mão, Orlando Ruffeil já conversava com os companheiros azulinos pouco antes da primeira e da segunda chamadas das reuniões do Condel. A ideia era apresentá-lo em meio ao encontro dos cardeais. Com a paralisação e a consequente suspensão da assembleia, a programação de Ruffeil foi alterada. A pedido da reportagem, o benemérito apresentou o documento. Ruffeil explicou que se tratava de uma cópia de parte do Diário Oficial do Estado. E de acordo com o que estava escrito, Licínio Carvalho foi lotado com um cargo comissionado nível I (ver foto abaixo). Carvalho é ex-presidente do Remo e foi o autor do pedido de tombamento do Baenão. O processo, movido via Secretária de Cultura, atrasou em cerca de seis meses a negociação do estádio, segundo Amaro Klautau.
No meio da confusão, Ruffeil acusou Lícinio Carvalho de utilizar o fato para se favorecer. “Claro que ele se beneficiou, entrou com o pedido de tombamento e como pagamento, ganhou isso!”, disse. O benemérito estendeu as revelações. “Ele (Licínio) foi o pior presidente da história do Remo. Como ele na presidência, perdemos pro Paysandu duas vezes de quatro. E, além disto, ele não ganhou nada!”, exclamou, seguindo. “Quem está falando é um historiador”, comentou. (Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar