Há 31 anos, dona Maria de Nazaré, 63, saía de sua casa com a missão de “cuidar” da área do ‘Carrossel’. Ela atendeu ao pedido de uma antiga diretoria do Remo, que abriu espaço para ela viver no imóvel do clube, em troca de seus serviços de zelar pelo local.
Acompanhada pelo marido Jurandir de Sousa, 51, eles moram na propriedade que pode deixar de ser do Clube do Remo, caso o imóvel seja arrematado no leilão marcado para o próximo dia 19. “Onde é que a gente vai morar?”, pergunta seu Jurandir, preocupado com o que poderá acontecer. Para manter o próprio sustento, o casal vende churrasco em frente ao Baenão.
Seu Jurandir lembra com saudade de um tempo que talvez não volte nunca mais. “Era muito bonito quando tinha festa aqui. Isso tudo ficava lotado. A gente que tomava conta, que ajudava na organização dos eventos”, recorda, seguido pelo mesmo pensamento da esposa. “Aquele tempo era muito bom. Tinha aparelhagem, baile da saudade... Como eu queria que o Carrossel voltasse a ser como era antes”, conta dona Maria, bastante emocionada. Para ela, um local tão grande não deveria estar abandonado, ao contrário, poderia estar sendo muito bem aproveitado. “Isso aqui poderia estar gerando dinheiro. Não sei por que as festas acabaram, o espaço está desperdiçado”, atesta.
Se a antiga casa de shows for mesmo vendida, eles não têm ideia de onde irão morar. Quando soube que o Baenão seria vendido, há alguns meses, dona Maria entrou em desespero. Imediatamente, ela correu à sede social do Remo. “Fiquei preocupada e fui até lá. Um ‘grandão’ que eu não lembro o nome me disse que eu poderia ficar tranquila, que se vendessem o Baenão e o Carrossel, eles iriam me dar uma casa e mais R$ 50 mil para eu me manter. Vou esperar para ver o que acontece”, explica dona Maria. (Diário do Pará)
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