Suíça, 10 de janeiro de 2011. A jogadora da seleção brasileira feminina Marta é eleita a melhor do mundo pelo quinto ano consecutivo. No discurso da vitória, um único desejo. “Precisamos valorizar mais o futebol feminino no Brasil”.
Um mês e quinze dias depois em Ananindeua, bairro do Coqueiro. Denise Oliveira e Thyele Nascimento andam de bicicleta pela Estrada do 40 horas buscando um destino: a rua Santa Clara. “Se não for de bicicleta, temos que pegar o ônibus e uma van. Daí é melhor a bicicleta mesmo”, explica Denise. Perto do final da estreita rua Santa Clara, chega-se ao campo de futebol comunitário do bairro.
Lá, cujo nome é incerto, Denise e Thyele se juntam a outras 18 garotas para fazerem o que mais gostam: jogar futebol. Não só jogar, mas competir também. Mesmo sem chuteiras para todas e como uma única bola para os treinos, as 20 garotas formam o time de futebol feminino Penarol. Com dois anos de existência, disputarão, pelo segundo ano consecutivo, o Campeonato Paraense.
“O treino terminou mais cedo hoje, porque o Ronaldo (o treinador) foi finalizar a nossa inscrição... por isso o campo tá ocupado”, afirmou, constrangida, Lilian Siqueira, coordenadora da equipe, apontando para o campo, aonde cerca de dez homens jogavam uma ‘pelada’ de final de tarde. E a cena é comum. “Como o campo é comunitário, temos que ter sorte de encontrar ele vazio. Nosso treino só é certo aos sábados mesmo. É o único dia que dá pra reunir todas”, esclarece Denise, já que todas as jogadoras do Penarol estudam ou trabalham. “Por amor ao futebol e pela nossa amizade continuamos jogando. Todas nos somos amigas. Inteiramos para comprar chuteira, emprestamos, fazemos rifa, e assim vamos nos virando”, enfatiza.
DISPUTA
O Campeonato Paraense de Futebol Feminino iniciará no dia 20 de março e se estende até setembro. As inscrições das equipes vão até o dia 15 de março e são feitas na Sede da FPF. No momento, 8 equipes já confirmaram presença.
Tuna: realidade só é um pouco melhor
Na sede da Tuna, o time feminino do clube treina em seu próprio campo. Com várias bolas e uma técnica exigente. “Equipe que quer ser campeã treina qualquer hora. A partir da semana que vem, além dos dias da semana, começaremos a treinar nos fim de semana”, avisa Aline Costa.
Apesar das melhores condições do time da Tuna, nem tudo ‘são flores’. Quando surge a indagação ‘quem apoia?’, observe a resposta. “Nós mesmos”, responde, brincando, Aline. “Temos nosso campo aqui, mas a outras coisas corremos atrás. Eu mesmo pago todo dia o vale transporte das meninas”.
O preconceito incomoda. “Mulheres que jogam futebol são vistas com maus olhos. Não só o governo deveria apoiar, mas todas as pessoas também”, avalia Denise, a goleira do Penarol. Denise, Thylene, Lilian e Aline. Mulheres com a mesma paixão e desejo da maior do mundo: valorização do esporte feminino. (Diário do Pará)
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