Era para ser o último coletivo do Paysandu antes da partida decisiva de hoje contra Penarol (AM), às 21h, pelo jogo de volta da Copa do Brasil. Estava programado para a parte da manhã na Curuzu. Mas, de última hora, o técnico Sérgio Cosme decidiu mudar o local e os bicolores rumaram para o campo do Kasa, na Cidade Nova, em Ananindeua. A justificava inicial era poupar o gramado do Leônidas Castro. Mas, também, sabia-se que o treinador queria conseguir tranquilidade. De imediato, só o ambiente arborizado do Kasa poderia proporcionar isso.
Entretanto, a ‘paz’ do espaço foi quebrada. Após trinta minutos de coletivo, a comissão técnica e jogadores foram surpreendidos, quando cerca de dez torcedores, de uma torcida organizada do Paysandu, entraram em campo e ignoraram a bola rolando para o treinamento. Os torcedores foram em direção a Cosme. “O Paysandu é muito grande pra ficar levando gol atrás de gol. Eles têm obrigação de ganhar o estadual e o jogo de amanhã (hoje)”, advertiu Paulo Rubens, presidente da organizada.
Paulo ainda continuou. “Queremos sair da terceira divisão. Sabemos que esse time de agora é o esqueleto da equipe que disputará o Campeonato Brasileiro. É preciso mudanças já. Esse protesto estava programado para depois do Re-Pa, mas decidimos fazer agora”, contou o torcedor. Depois de quinze minutos de conversa no centro do gramado, os torcedores partiram, mas com a promessa de retorno. “Se não for assim, vamos fazer outros protestos e impediremos os treinos”, avisou.
Sem clima para continuar o coletivo, Sérgio Cosme antecipou o encerramento das atividades, com uma preocupação. “O torcedor tem todo o direito de protestar. Só lamento por ter sido às vésperas de um jogo importante. Tive que interromper meu treino”, afirmou o treinador.
Virou caso de polícia e tem B.O registrado
“Vou pedir a diretoria mais reforço na segurança nos próximos treinos”, essas foram as palavras do técnico Sérgio Cosme, após o episódio da invasão dos torcedores no campo do Kasa. Já à tarde, Toninho Assef, vice-presidente do Paysandu, convocou toda a diretoria e comissão técnica do clube para uma reunião na sede. O objetivo era discutir que metidas tomar diante do incidente. “Cada torcedor é maior de idade e responsável por seus atos. Eles estão lhe dando com trabalhadores à serviço de um clube, não com ladrões ou bandidos”, afirmou Assef, antes da assembléia.
O Coronel Cláudio Fernandes, diretor responsável pelo setor de segurança, classificou o episódio como um ‘atitude infeliz de torcedores isolados’ e garantiu que todas as medidas cabíveis serão tomadas para que o fato não ocorra mais. “Já registramos o Boletim de Ocorrência pela invasão ao treino e vamos pedir abertura de inquérito policial para investigar esses torcedores. Eles (os torcedores) deveriam ter tomado conhecimento do que estavam fazendo, pois isso pode ser considerado até crime. O Paysandu, como um clube grande que é, não admite uma atitude dessas”, explicou o Coronel, acrescentado que todos os próximos treinos do Paysandu terão segurança reforçada. Já o jogador Alisson, amenizou a situação. “A conversa com eles foi numa boa. Selamos um pacto de vitória com eles”. (Diário do Pará)
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