Pouco depois de se aposentar dos gramados, mês passado, Ronaldo Fenômeno, num bate-papo com seus fãs na comunidade virtual Twitter, soltou a frase: “Mas você sabe que 93% dos jogadores no BR ganham salário mínimo?”. Apesar de não se basear em pesquisas específicas do tema, em sua declaração o ex-jogador mostra uma triste realidade que o grande público, em geral, desconhece, que é a disparidade de salários dos jogadores de futebol no Brasil: enquanto poucos ganham muito, muitos ganham pouco.
No último levantamento feito pelo Departamento de Registro e Transferência da CBF, em 2001, 82,17% dos atletas nacionais receberam até dois salários mínimos e 42,62% receberam até 180 reais, valor correspondente ao salário mínimo da época. Apenas 3,75% dos jogadores ganharam mais de 20 salários mínimos naquele ano, mostrando a enorme lacuna que separa os chamados “jogadores de ponta” dos demais.
Exemplos não faltam para explicar esse fato. Em 2009, o próprio Ronaldo encabeçava a lista dos maiores salários de jogadores do Brasil, recebendo do Corinthians exatos 1.133 milhões de reais por mês. O segundo colocado, o atacante Adriano, recebia 362 mil mensais do Flamengo. Nilmar (360 mil), Fred (350 mil) e Rogério Ceni (230 mil) também eram alguns dos que se destoavam dos demais pelos enormes salários.
Na Europa, o centro do futebol mundial, a cada temporada os valores pagos por craques só aumentam e muitos clubes, influenciados por sheiks árabes bilionários e magnatas russos, simplesmente ignoram a grave crise econômica que assolou o mundo recentemente e torram verdadeiras fortunas em jogadores de alto nível. Atualmente, o maior salário pago a um jogador de futebol são 12 milhões de euros, valor que a diretoria do Real Madrid deposita por ano na conta do atacante português Cristiano Ronaldo.
Quanto à “base da pirâmide” da lista, correspondente às menores remunerações, os valores variam e muitas vezes o total recebido por isso não chega nem a um salário mínimo, que hoje corresponde a R$ 545,00 mensais. No Pará, a realidade não é muito diferente do resto do país.
Os atletas de Remo e Paysandu recebem consideravelmente mais que os outros jogadores e, tirando os atletas recém-saídos das categorias de base, é difícil ver alguém que receba menos do que dois salários mínimos (R$ 1.090,00). Nos demais clubes a situação é invertida, sendo a remuneração mínima muito comum. O Bola procurou alguns dos personagens dessa triste realidade para explicar melhor essa disparidade no mundo do futebol. Leia mais no Diário do Pará.
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