Carlinhos Dornelles faz um pouco de tudo no Clube do Remo. Coordena as categorias de base, sub-18 e 20, recebe informações sobre torneios amadores e busca novos talentos para o Leão. Por mais que não tenha a função específica e nem receba para tal, o ofício de Dornelles na toca do Leão é o que mais se aproxima do que pode se chamar de trabalho de olheiro. Atividade importante para os clubes paraenses.
Disputando as Séries C e D, sendo nenhuma das duas financiadas pela Confederação Brasileira de Futebol, os clubes se encontram, praticamente, sem possibilidades de lucro. Buscar e encontrar talentos locais seria uma função básica. Mas, não é muito bem isso que acontece. Dornelles divide o seu tempo entre os treinamentos do Sub-18 e Sub-20, que irão disputar a Copa São Paulo no segundo semestre, as aulas do curso de Educação Física que leciona em uma faculdade no período da noite, e o que sobra de tempo para cuidar dos novos talentos é um pouco mais de três meses, quando Dornelles realiza o que ele chama de laboratórios técnicos. “Toda a comissão técnica das categorias de base faz esse trabalho (de olheiro). Nos meses de dezembro, fevereiro e julho realizamos os treinos”, conta.
Um olheiro de verdade seria um profissional assalariado, contratado para viajar pelas regiões próximas, em busca de jogadores promissores. Um empregado com custos altos, pois além das viagens, o olheiro tem todas as despesas bancadas pelo clube. O Barcelona, um dos maiores clubes do mundo, possui vários desses profissionais espalhados não somente pela Espanha, mas em várias partes do mundo.
Na temporada 2011, seis jogadores do elenco do Remo eram provenientes das categorias de base. Carlinhos garante que nenhum foi aproveitado. “Como os jogadores de fora ganham, às vezes, até 20 vezes mais, eles preferem colocar os de fora. O garoto fica sem ritmo de jogo”, aponta. Realidade semelhante a vivida no Paysandu.
Assim como no rival, no Papão, o cargo de olheiro também é ocupado por quem dirige as categorias de base bicolor. Carlos Mancha, em meia a outras tarefas, recebe indicações de escolinhas de futebol e contatos de conhecidos. “Eu nem sou olheiro. Sou coordenador da base”, afirma. Porém, Mancha assegura que a relação com a diretoria é excelente na hora de receber jogadores indicados. Para defender a sua tese, Mancha aponta um dado: os 14 jogadores que compõem o elenco bicolor em 2011. Alguns com destaques, como Rafael Oliveira, Billy e Bryan. Moisés, revelação do estadual de 2010, também foi lembrado. Segundo o coordenador, todos os jogadores da base, frequentam escola e acompanhamento médico, tudo custeado pelo clube. Já no Leão, Carlinhos Dornelles é enfático ao dizer. “A estrutura barra muita coisa. Infelizmente, não existe o mínimo necessário”, revela.
Apesar de realidades um pouco diferentes, ambos compartilham um pensamento. “Precisa-se investir 10 vezes mais. Investir na base significa economia e até lucro se o jogador for vendido. Quem não investir nas categorias de base vai falir. Não fazer isso é ser cego e burro”, opina Mancha. “Eu gosto de fazer isso. Não tem conhecimento do clube, mas tem da família dos garotos”, diz Dornelles. (Diário do Pará)
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