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ESPORTE PARÁ

CPI discute relação entre empresários e jogadores

A paixão pelo futebol aliada à possibilidade de ascensão social estão levando adolescentes pobres de várias partes do Estado a cair nas lábias de empresários que prometem carreira profissional promissora nos principais clubes do Nordeste e Sudeste do Bras

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A paixão pelo futebol aliada à possibilidade de ascensão social estão levando adolescentes pobres de várias partes do Estado a cair nas lábias de empresários que prometem carreira profissional promissora nos principais clubes do Nordeste e Sudeste do Brasil. É isso que uma das redes de investigação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico Humano tenta comprovar. Até o momento, a CPI já constatou fortes indícios de irregularidades na contratação de 15 garotos para jogar na Portuguesa de São Paulo. Ronildo Borges do Souza, conhecido como ‘Batata’, treinador das categorias de base do time paulistano, teria sido o empresário mediador.

Na semana passada, os adolescentes foram encontrados em condições subumanas em uma casa na localidade de Praia Grande, no litoral de Santos. Sem higiene, alimentação e até mesmo energia elétrica, os jovens atletas estariam pedindo para retornar. Ontem (21), a CPI realizou uma seção com a presença de Carlos Alberto Mancha, diretor das categorias de base do Paysandu e Roberto Macedo Junior, agente FIFA credenciado no Pará.

O representante do Paysandu informou ter conhecimento de outros casos semelhantes aos dos menores de Santos. Segundo ele, o insucesso se deve a falta de preparação física e psicológica dos garotos. “Para manter um garoto na base é preciso basicamente de duas coisas: uma bola e um professor. Será que isso é muito?”, questiona Mancha.

O agente da FIFA completou o pensamento do diretor. “A penúria com que os clubes do Estado se encontram faz com que os garotos prefiram ir para o Sul e Sudeste. Aqui se paga um salário mínimo, lá no sul pagam até 10 vezes mais”, explica. Macedo acrescentou que em qualquer tipo de contrato entre atletas e clubes é exigido pela CBF o supervisionado de um agente credenciado da FIFA. “Poucos estão disponíveis para isso. Então, qualquer um para ser empresário: basta investir no atleta, é aí que surgem os maus empresários”, esclarece. Segundo ele, o empresário age em contato direto com os pais do adolescente. A falta de esclarecimento faz com que os pais assinem o contrato com multas elevadas. “Tive um caso de um garoto de 14 anos que possuía uma multa de um milhão de reais. Isso é ilegal”, denuncia. (Diário do Pará)





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