Tudo começou no dia em que o filho, desempregado, decidiu ganhar R$20 reais para apitar uma partida qualquer, não profissional. O tempo passou, Clauber virou árbitro profissional e a mãe passou a sofrer nos estádios de futebol. Sempre sobra para o homem do apito! E hoje, tem mais! Assim que Clauber pisar no gramado do Mangueirão, ao lado José Ricardo Guimarães, Lúcio Ipojucan Ribeiro, Joelson Silva dos Santos e Joelson Nazareno Cardoso, estará representando os 83 árbitros da Comissão de Arbitragem da Federação Paraense de Futebol. Há nove anos, não se via uma comitiva local apitar a partida mais importante do campeonato. A última vez foi na decisão de Parazão de 2002, quando o Paysandu derrotou a Tuna por 3 a 0, sob o comando de José Guilhermino de Abreu, hoje presidente da Comissão de Arbitragem da FPF. “Esse ano melhoramos muito. Hoje temos adequação profissional de primeiro mundo”, diz Guilhermino.
Clauber explica que o prestígio se deu devido a um árduo trabalho. “Para ter sucesso, tem que ter planejamento e foi isso que fizemos esse ano”, conta. A preparação requer dividir o tempo entre a profissão principal (Clauber trabalha em uma concessionária de veículos) e as atividades físicas, teóricas e logísticas, que totalizam uma média de seis horas semanais. O fator psicológico também pesa. “Muitas vezes contamos até 10 para não revidarmos os insultos”, reforça Joelson Cardoso.
Tanto esforço começou a ser recompensado em maio, quando a comissão de arbitragem paraense ficou em segundo lugar em uma avaliação nacional feita pela Confederação Brasileira de Futebol. O outro motivo de orgulho foram as 69 partidas, de um total de 72, dirigidas por um paraense esse ano.
A remuneração também passou a melhorar: é proporcional a importância da partida. Por ser a final do campeonato, Clauber irá embolsar o valor mais alto pago pela FPF para ministrar uma partida: R$1.400. “O mais importante é vestir a camisa da Federação Paraense”, assegura. O campeão de 2011 só será determinado assim que Clauber assoprar o apito final. Mas uma certeza, antes mesmo de entrar no Mangueirão, Clauber já tem: um dos melhores times do Parazão 2011 foi a arbitragem. (Diário do Pará)
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