Antes mesmo do início do jogo, a torcida do Paysandu teve uma prévia de quanto a decisão seria sofrida. Longas filas e tumulto para entrar nos portões que davam acesso à área interna do Mangueirão. “Tá uma confusão para entrar aqui”, dizia o torcedor Lucas Silva a um policial militar. “Acho que eles pensaram que não daria muita gente”, completou.
Sufoco na entrada, festa na arquibancada com os gritos de “Uh, é caldeirão!” e a bandeira de oito mil metros estendida sobre as cabeças de milhares de torcedores. A pequena torcida do Independente também demonstrava animação. Sob o coro de “Galoooo, galooo”, os tucuruienses incentivavam seu time.
Quem vibrou primeiro com um gol foi a maioria. O grito ecoou no Mangueirão aos 12 minutos. Mas, o delírio maior foi da minoria na virada de 3 a 1. “Estamos mostrando a força do interior. O Papão vai virar galinha”, dizia Davi Teixeira, o torcedor do Independente que trouxe um mascote do time de Tucuruí esculpido em isopor. “A torcida quebrou o pé dele na hora da festa do gol”, disse Davi.
Os torcedores que enfrentaram mais 300km, em 10 ônibus fretados, só pensavam na festa do título. “Tem mais de oito mil pessoas acompanhado o jogo na escadinha de Tucuruí e esperando a nossa chegada”, revelou Teixeira. Tanto era o clima de festa que até mesmo os cartões amarelos distribuídos pela arbitragem eram comemorados como um gol. “O Mangueirão é nosso”, era o que, a essa hora, se ouvia na torcida verde e branca.
Depois das cobranças de pênaltis, o grito de campeão saiu da garganta sem hesitação. Muitos se abraçavam, outros pulavam e alguns simplesmente olhavam para o gramado como se não acreditassem. Mas era verdade: o Independente se tornou o primeiro time do interior campeão paraense da história. “Isso é como se fosse uma libertação para todos nós”, resumiu o torcedor Hyldo Junior. (Diário do Pará)
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