Quando Flávio Boulhosa entra no Estádio Evandro Almeida, é como se adentrasse em uma máquina do tempo. Ao lado do filho, Cassiano Cavalcante, Flávio volta no tempo para momentos que, para ele, são inesquecíveis.
“Foi bem aqui, exatamente aqui nesse canto, em 1972, que eu estava”, conta ele, se agarrando nas grades do alambrado bem próximo da bandeira de escanteio. “Tinha 11 anos. O Remo jogava contra o Flamengo de Zico pela primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Jogo tava difícil com isso aqui (o estádio) lotando. Aos 13 minutos do segundo tempo, teve um escanteio para a gente”, descreve, enquanto aponta para a marca do escanteio. “Na cobrança, o zagueiro do Flamengo tentou tirar com o peito, mas a bola caiu na cabeça do Roberto ‘Diabo loiro’ (meio-campo) e parou no fundo do gol”, narra Flávio, prosseguindo após uma pausa para respirar.
Retornando ao presente, com 50 anos, o torcedor azulino se diz chateado com o atual momento do seu time: sem divisão e calendário até 2012. “Eu acho a diretoria do Remo incompetente”, afirma. Porém, na última segunda-feira (4), a diretoria azulina tratou de tentar dar um sopro de ânimo. Anunciou o nome de Sinomar Naves para assumir o comando do Remo a partir de agosto. “Ele foi campeão pelo trabalho que fez no Independente, então, acredito que aqui ele tem tudo para fazer melhor”, afirma Boulhosa.
A opinião é também compartilhada pelo filho, Cassiano. “Acho a contratação do Sinomar uma boa”, confia o jovem torcedor de 23 anos. No mais, só o tempo vai falar. Enquanto a vez dele não chega, pai e filho preferem mesmo é voltar ao passado, enquanto caminham para o centro do gramado, se recordando e se divertindo, em um Baenão vazio, bem diferente daquele de 1972. (Diário do Pará)
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