Na tarde de ontem (18), o portão do Baenão estava fechado. O porteiro não tinha ido trabalhar. Quem recebia os poucos visitantes no estádio era o ‘cão-guarda’ do Leão, Sadam. Reza a lenda que Sadam sempre late a qualquer torcedor do arquirrival azulino que tente adentrar ao estádio. Ontem, o cachorro estava mais preocupado em fuçar os quatro cantos do Evandro Almeida atrás de comida.
Assim como Sadam, o porteiro e outros funcionários do clube decidiram não ir trabalhar para correr atrás do sustento. Como a promessa de que iriam receber parte dos salários atrasados na última sexta-feira (15) não foi cumprida, eles decidiram paralisar as atividades. Porém, já no final da tarde, os cerca de 20 funcionários souberam o real motivo do não pagamento. “Um por um foi chamado na sede social para receber aviso-prévio”, contou Marcelo Messias, gerente de ambiente e, nessa gestão, ainda diretor de estádio.
Messias contou que Sérgio Cabeça, presidente do clube, foi representado por Simone Bahia, do setor financeiro do clube. “Ela disse que o único compromisso do Remo, a partir de agora, é com a Justiça. O Remo não tem mais dinheiro”, expôs Messias. Sérgio Cabeça confirmou que a verba de patrocino da Fundação de Telecomunicações do Pará (Funtelpa) se esgotou. “As coisas não estão fáceis e estamos procurando fazer um enxugamento na nossa folha para podemos regularizar o Remo”, disse, prosseguindo. “Não temos condições de arcar com essas despesas. Quem dera que pudéssemos pagar todos”, lamentou.
Marcelo chamou a atenção para a falta de diálogo dos diretores com o departamento financeiro, que, segundo ele, na última sexta-feira avisou a todos os funcionários que o dinheiro estaria disponível. “Isso causou um constrangimento grande. Na sexta-feira, alguns funcionários foram fazer compras nos supermercados, mas na hora de passar o cartão descobriram que não havia dinheiro na conta e tiveram que devolver os produtos”, revelou. Só restou a esses funcionários o caminho da Justiça. “Vamos continuar trabalhando normalmente, mas vamos correr atrás de nossos direitos pela justiça”, disse o gerente. (Diário do Pará)
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