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ESPORTE PARÁ

Izabelense recruta caras conhecidas do torcedor

A Segunda Divisão do Campeonato Paraense, a Segundinha, mais uma vez servirá como refugo de jogadores rodados (apelidados de “sucatões”), que se juntarão a jogadores desconhecidos e/ou mais jovens na competição que pode até não ter uma qualidade técnic

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A Segunda Divisão do Campeonato Paraense, a Segundinha, mais uma vez servirá como refugo de jogadores rodados (apelidados de “sucatões”), que se juntarão a jogadores desconhecidos e/ou mais jovens na competição que pode até não ter uma qualidade técnica elevada de seus participantes, mas é rica em histórias. Treinos sem uniformes adequados (às vezes até sem chuteira), jogadores recebendo vale-transporte como pagamento, centro de treinamento ao lado de presídio e jogos sem público algum são algumas das situações peculiares da última divisão do nosso futebol.
Na segundinha tem de tudo um pouco. O time do Gavião Kyikatejé, por exemplo, é uma agremiação com raízes indígenas e possui em seu plantel atualmente apenas seis “brancos” (jogadores que não são índios). O treinamento diário é um pouco diferente dos demais clubes – a equipe não treina em academias de musculação e tem, como principal exercício de fortalecimento muscular, as tradicionais corridas com toras de madeira. É a equipe que está há mais tempo em fase de preparação – começou as atividades visando à Segundinha em fevereiro.
Seja como for, a competição representa para cada um dos participantes um começo ou recomeço na carreira. Muitos jogadores das categorias sub-17 à sub-20 disputarão uma competição oficial pela primeira vez; em contraponto, jogadores com bagagem, que estavam sem oportunidades em outros clubes, terão uma nova – ou seria última? – chance. O Bola foi atrás de alguns personagens desse campeonato, que teve início ontem.

Izabelense é o “Rei da Sucata”

O Atlético Clube Izabelense, também conhecido como Frangão da Estrada – já foi vice-campeão da elite nos anos 80 -, voltará a disputar a Segundinha neste ano, e a expectativa é melhorar a quinta colocação do ano passado e voltar a figurar no Parazão do ano que vem. Para isso, investiu em vários medalhões conhecidos do futebol paraense, que formarão a base do time na temporada.
Se os veteranos da Segundinha foram apelidados de ‘sucatões’, então nada mais justo do que denominar o Izabelense como o ‘Rei da Sucata’. O saudosismo é inevitável. Basta dar uma volta ao redor do Estádio Edílson Abreu em dia de treino e ver alguns dos símbolos recentes do futebol paraense, a começar pelo técnico, o folclórico Ney Sorvetão, zagueiro que participou do pentacampeonato histórico do Clube do Remo nos anos 90, fora a bagagem nacional e internacional do jogador.
Desde 2009 atuando como treinador, Ney já conseguiu um resultado relevante ano passado, classificando o Abaeté para a primeira fase do Parazão. “O futebol é engraçado. Um dia desses eu estava jogando ao lado de alguns aqui do Izabelense, como o Marcio Belém, em 2002, e hoje eu comando a galera”, diverte-se o treinador.
Divertido mesmo foi na seção de fotos após o treino do Frangão. A reportagem sugeriu que os jogadores mais velhos da equipe (Marcio Belém, Rico, Magrão e Capanema), simulassem um aquecimento com os garotos. Os medalhões cansaram rápido, mas tinham a desculpa na ponta da língua. “Usei toda minha energia no treino”, disse Márcio, que estava ofegante após dez segundos de “aquecimento”.
Depois das brincadeiras, Marcio Belém revelou ao Bola que ainda tem gás e quer continuar a carreira. “Tive uma contusão no joelho no Uniclinic-CE e por isso fiquei um ano parado. O Izabelense é um recomeço pra mim”, diz o volante, que jogou várias temporada no Clube do Remo no início dos anos 2000. Magrão é outro ex-azulino das antigas que retorna ao futebol paraense. “Acho que é bom mesclar jovens com jogadores experientes. Temos tudo para conseguirmos a classificação”, acredita o zagueiro, que foi um dos pilares da equipe remista.

SÃO FRANCISCO E BRAGANTINO

O tradicional time de Santarém, que até o ano passado estava há nove anos sem disputar competições oficiais, recuperou-se do baque da Segundinha passada – apesar do bom time formado e do alto investimento, nem passou da primeira fase –, e espera melhor sorte daqui pra frente. Para esta temporada, a diretoria adotou a política pés no chão, apostando em jogadores locais e pouco conhecidos. A exceção é o meia Michel, que defendeu o rival São Raimundo na conquista da Série D de 2009.
“Aprendemos com os erros do passado e estamos apostando forte nesta Segundinha. Acredito que a nossa torcida será o nosso diferencial”, afirma o diretor de futebol, Valdir Matias Jr., que espera uma média de 5.000 pessoas por jogo. No Bragantino, a principal aposta é o meia Roma, ex-Águia e que despontou no Flamengo no final dos anos 90. Cleidir, Diogo Ourém e Negreti também são atrações do clube de Bragança.

Formar atletas também está entre as prioridades

Enquanto as demais equipes investem em jogadores rodados para conseguir o acesso à primeira fase, Tiradentes e Time Negra têm outro objetivo no Campeonato. Para esses times, a classificação é apenas um detalhe, pois o que importa mesmo é botar a garotada do sub-17 e do sub-20 em sua primeira experiência no futebol profissional.
No caso do Tiradentes, o objetivo é bem mais explícito: revelar e posteriormente lucrar com a venda de novos talentos. O clube fez uma parceria com a SDP (Sociedade Desportiva Paraense), que possui Centro de Treinamento próprio e toda estrutura necessária para o aprimoramento de fundamentos dos meninos – as categorias vão do sub-13 ao sub-20 -, que cedeu os atletas para o time. Localizado em Marituba, ao lado da penitenciária local, o CT conta com três campos de treinamento, refeitório, alojamento e equipe especializada (ex: preparador físico, médico, cozinheiro).
A estrutura é de dar inveja na dupla Re-Pa, que frequentemente recorre a campos e academias alugados para treinarem. Formado por garotos cadastrados no projeto, a única exceção é o goleiro Jackson, que por muitos anos jogou no Clube do Remo. “Na verdade, eu sou preparador de goleiro do projeto, mas aí acabei ficando como goleiro pra dar confiança pra garotada”, afirma o goleiro, que exerce as duas funções no clube. Na verdade, Jackson é o ‘faz-tudo’ do Tiradentes, podendo até atuar como auxiliar técnico. “Fiquei muito desiludido com o futebol paraense, principalmente com as poucas oportunidades que a dupla Re-Pa dá aos mais jovens”, acrescenta Jackson. “Tô aqui pra aprender e crescer no futebol”, diz o jogador de 17 anos Cleverson de Lemos.
O técnico João Hage ressalta o projeto social envolvido no negócio. “Claro que o SDP visa o lucro, mas também tem o lado social, pois ajudamos vários jovens a sair das ruas e ainda alimentá-los adequadamente”, diz.

PAPÃO B

Pelo Time Negra, a situação é a mesma, só muda a finalidade: em vez de lucrar com a venda de atletas, a equipe nada mais é que um laboratório de jogadores das divisões de base do Paysandu, que tem parceria com o clube. “Queremos movimentar os garotos, proporcionar a eles a oportunidade de jogarem uma competição oficial pela primeira vez. A classificação não é nosso objetivo principal”, diz o coordenador das categorias de base do Papão, Rodrigo Mancha.
“O nosso time é formado por jogadores sub-20 do Paysandu, acrescido dos gêmeos Billy e Bryan”, afirma Mancha, que apesar do pouco aproveitamento dos garotos da base na equipe principal, “não me desmotiva isso. Formamos em 2010 o Moisés e, nesse ano, o Billy, os dois principais jogadores locais desse período”. (Diário do Pará)

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