O que seria do futebol sem a fé? A fé em acreditar até os 45 minutos finais que o seu time do coração pode virar o placar da partida; a fé para rezar nas cobranças de pênaltis que irão decidir o campeão do campeonato ou fé para pedir por dias melhores para o mesmo time do coração, quando este não estiver bem das pernas. A ligação entre fé e futebol é forte no país do futebol. Na terra do Círio de Nazaré, então, ela é quase uma regra.
Foi em um domingo como de hoje, de Círio de Nazaré, em 2006, que Fábio Will, então com 19 anos, foi até os carros de milagres de Nossa Senhora de Nazaré para entregar parte do seu cabelo acumulado ao longo de mais de um ano sem cortar. A atitude era o pagamento de uma promessa referente ao ano de 2004, quando seu time do coração caiu da Série B para a Série C. “O Remo perdeu de goleada para o Brasiliense e foi rebaixado para a Série C. Foi um dia triste, a encarnação dos bicolores era grande. Fui até o meu pai e falei: ‘Pai, só vou voltar a cortar o cabelo de novo quando o Remo subir’. Meu pai, mesmo remista, disse que não era para fazer. Mas, fiz”, recorda.
Depois de um ano, em 2005, a promessa de Fábio foi concretizada: o Leão foi campeão brasileiro da Série C, em uma campanha histórica marcada pela presença do torcedor azulino nos jogos, quando o clube, mesmo estando na terceira divisão, conseguiu quebrar recorde de público nas três séries. Após um ano de tristeza, retornou para a segunda divisão com moral. “Foi felicidade total aqui em casa e comemoração na Doca (Avenida). Meu avô, que pegava no pé por causa do cabelo, pegou logo uma tesoura para cortar”, recorda.
Hoje, com 25 anos, o auxiliar administrativo Fábio diz não se arrepender da atitude. “Tem muita gente que diz que não existe ligação entre fé e religião. Mas pra mim é bem estreita. O Remo é como se fosse alguém da minha família. É como se estivesse rezando para um familiar, entende?”.
No coração remista surge uma nova promessa
Inclusive, a paixão dentro de casa fez Fábio adquirir um hábito. “Aos seis anos, eu pedi meu primeiro uniforme completo do Remo, desde então, em datas comemorativas como Natal, dia das crianças, sempre pedia uma camisa de presente. Quando me dei conta, já estava cheio de camisas”, afirma. Hoje, Fábio pode ser considerado um autêntico colecionador de camisas do Remo. São nada menos que 54 camisas no seu acervo.
Elas, por sinal, serviram de inspiração para uma nova promessa. Para a mesma Santa e o mesmo carro. “Se daqui a quatro ou cinco anos o Remo estiver novamente na série B, todo ano vou doar uma camisa oficial do ano para o carro dos milagres”, promete. Falou Fábio, louco por futebol, pelo Clube do Remo e religioso. Você pode até discutir essa relação. Mas ela tem lá a sua devoção. (Diário do Pará)
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