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ESPORTE PARÁ

Apesar das dificuldades, torcida não deixa o Leão

Pela segunda vez em sua história, fora de série, o Remo foi alvo de previsões pessimistas. Falou-se que o torcedor azulino não teria mais motivos para valorizar o seu time. Quase sete mil torcedores presentes no estádio Evandro Almeida, na noite da última

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Pela segunda vez em sua história, fora de série, o Remo foi alvo de previsões pessimistas. Falou-se que o torcedor azulino não teria mais motivos para valorizar o seu time. Quase sete mil torcedores presentes no estádio Evandro Almeida, na noite da última segunda-feira (17), provaram que tal afirmação não passava de um exagero. A falta de confirmação na frase ganha força por alguns detalhes importantes daquele 17 de outubro: o número sete mil expectadores divulgados é questionável, pois poucos espaços no Baenão não estiveram ocupados.

Inclusive, as divergências entre os números fizeram Hamilton Gualberto, vice-presidente de futebol, apurar a conta e distribuição de ingressos no Baenão. Investigações à parte, mesmo levando em consideração somente o público oficial de 6. 851, dá para bater a média de público em três séries do futebol brasileiro: B (5.449), C (4.190) e D (2.286). O feito surpreendeu todo o jovem elenco azulino, até mesmo os mais veteranos, como o goleiro Adriano.

Mas a prova de amor da torcida em momentos difíceis não é novidade por aquelas bandas. Ela já aconteceu a seis anos, em 2005, quando, depois de cair pela primeira vez em sua história para a terceira divisão nacional, o Remo também quebrou recorde de público em todas a séries, até se tornar o campeão do Campeonato Brasileiro da terceira divisão.

Falta lógica, raciocínio? É tanta paixão que chegam ao ponto de considerar o clube parte da família. “Normal seria o fanatismo diminuir em virtude de muito amadorismo por parte de quem gerencia o clube. Porém, de maneira bem surpreendente, meu amor por esse clube só faz aumentar... Como se fosse um filho, um irmão, um pai, ou alguém muito importante na sua vida, que passa por dificuldades, mas que você tem certeza e acredita que ele vai superar seus problemas”, conta o estudante Felipe Porto. Um porto seguro para alcançar os objetivos? “Puxamos a time de volta para a (serie) B em 2005. A nossa força é a torcida. Foi e sempre será assim”, diz o advogado Maurício Lima.

Tentar explicar o sentimento de amor não é uma tarefa fácil
Como explicar tanto fanatismo por um time não ganha títulos expressivos há tanto tempo? “Nas boas, te quero. Nas ruins, te amo”, é essa frase que membros de uma comunidade virtual usam para tentar elucidar esse mistério. Para muitos, tentar resumir esse sentimento não é tarefa fácil. “Que pergunta difícil...”, afirma a funcionária pública Pollyanna Cecim, 29 anos, torcedora assídua. “Mais fácil seria escrever um texto. Mas em poucas palavras, é paixão, porque, mesmos nesses tempos ruins, a gente continua torcendo”. Outros que se arriscam a tentar explicar o fanatismo pelo azul-marinho da camisa chegam a se enrolar até com a mulher amada. “Minha esposa fica muito entusiasmada com tanta fidelidade que tenho pelo clube do Remo. Ela afirma que homens com tanta fidelidade é difícil de trair a esposa”, é o que garante o torcedor Sandro Augusto em uma rede social. “Torcer para o Leão significa uma essência que só nós, azulinos de verdade, sentimos e sabemos explicar”. (Diário do Pará)

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