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ESPORTE PARÁ

Maracanã sustenta a família como vigilante

Uma carreira marcada pela determinação. Assim pode se definir a vida profissional de Edimarilson Barros de Lima. Hoje, com 38 anos, Edimarilson pode olhar para trás e se orgulhar de ter conquistado tudo que tem graças aos 17 anos dedicados ao futebol, com

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Uma carreira marcada pela determinação. Assim pode se definir a vida profissional de Edimarilson Barros de Lima. Hoje, com 38 anos, Edimarilson pode olhar para trás e se orgulhar de ter conquistado tudo que tem graças aos 17 anos dedicados ao futebol, com passagens marcantes em Remo e Paysandu. A mesma fala mansa e os olhos azuis, que presenciaram tantos feitos, recebem a equipe do Bola em seu próprio apartamento, em um condomínio localizado na Cidade Nova. Era tarde de quarta-feira, dia do jogo da seleção brasileira. A TV ligada não esconde a eterna paixão pelo mundo da bola. “Futebol tá no sangue”, diz ele.

Ainda não sabe quem é, caro leitor? É que poucos reconhecem pelo nome mesmo. “Eu sou do interior de Maracanã. O meu nome era muito complicado, aí todos preferiam me chamar pelo nome da minha cidade. No futebol acontece muito disso”, conta Edimarilson, ou melhor, Maracanã, ex-jogador de meio-campo. Aposentado há cerca de três anos, Maracanã passou a trabalhar como guarda. Já chegou a prestar serviço na Guarda Municipal e, hoje, é vigilante de banco. O novo emprego, diz ele, o agrada. “A gente só trabalha com o que gosta”, afirma.

Mas o futebol ainda se mantém presente na vida dele. Maracanã, pelo período da manhã, é secretário de futebol de São Francisco. Além do lazer em disputar campeonatos amadores. Possui uma vida estável, em que consegue oferecer conforto para a esposa e para as duas filhas pequenas, Yara e Yasmin. “A gente era de uma família bastante humilde, casa de tábua, e o futebol me deu tudo: pude comprar casa pra minha mãe, meu apartamento, carro, alguns imóveis, que alugo no interior. Tive a cabeça boa”, analisa.

“Cabeça boa” que sempre teve um objetivo desde o início da carreira no Tiradentes, quando ainda recebia menos de um salário mínimo. “A vontade de ser jogador sempre era maior. A gente recebia um salário mínimo, isso quando recebia. Coloquei um objetivo na cabeça: arrebentar em um time pequeno, passar para o grande daqui e depois sair. Sempre tive isso como meta”, explica. O motivo para traçar esse plano, Maracanã esclarece. “Eu nunca tive apoio de base, para as pessoas do interior, como eu, ainda é pior. Tem que se dedicar mesmo. As condições lá fora são melhores. Eu só fui ter uma vida melhor, ganhar mais dinheiro, quando saí daqui de Belém. Os times pequenos de fora têm estrutura de grande”, assegura.

Para alcançar seu objetivo, Maracanã estourou no Paysandu. “Foi no Paysandu onde comecei minha história. Foi à época da quebra do tabu de cinco anos que o Paysandu não ganhava um título. Fiz bons jogos, sempre agraciado pela torcida”. O título paraense de 98 marcou a carreira de Maracanã. “Ainda tinha aquela geral, que a torcida ficava quase em cima da gente. Vencemos por 3 a 1, em um jogo que matamos eles (Remo)”, relembra. Depois daquela final, o meia, enfim, conseguiu novas experiências. “Recebi muitas propostas: fui para o São Bento, Guarany, Irati...”, recorda.

Para o sucesso, Maracanã, o mesmo de fala mansa e olhos azuis, dá o recado: “Procurar ser uma pessoa humilde, trabalhar direito e correr atrás. Sair daqui de Belém para outro clube. Vale o esforço de cada um. Ainda mais quando vem de uma família pobre”, aconselha.

(Diário do Pará)

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