Seu Edson Coelho, 53 anos, dedicou parte da vida vendendo materiais esportivos para complementar a renda familiar. Morador do bairro da Condor, Edson é pai de cinco filhos e conhecido nos estádios de Remo e Paysandu. “Fiquei velho fazendo isso”, responde, quando é indagado há quanto tempo trabalha com esse tipo de venda. “Pega até mal para mim, aparecer em uma foto só do jogo do Remo. Os caras lá (do Paysandu), vão dizer que eu sou secador quando for para a Curuzu”, preocupa-se. No último sábado (12), Edson viajou até a Terra do Alumínio para conseguir um dinheiro extra. Montou seu varal de camisas de clubes bem em frente ao estádio Lorival Campos Cunha, local que iria receber o amistoso entre Clube do Remo e Seleção de Barcarena.
O clima pós-chuva, antes do início da partida, refletia-se nas vendas. “Eu esperava ganhar mais. Nem parece que amanhã (ontem) é o Círio de Barcarena. O movimento está fraco, nem a torcida lotou o estádio”, analisou Edson. Alegria mesmo vinha do tecnobrega do carro de Vladimir Oliveira, torcedor fanático pelas cores do Leão. “Acompanhei o Remo em todos aqueles amistosos de 2009. Espero conseguir esse ano também”, deseja Vladimir que, até aqui, ainda não teve nenhuma decepção com o time do coração. Em Barcarena, não foi diferente, mas foi até melhor: 6 x 0, sem dó, sequer pena do adversário.
“Tivemos dois treinamentos, mas a seleção é uma base que disputa o intermunicipal há cerca de dois anos. Nossas dificuldades são grandes em termos de treinamento, já que a maioria estuda e trabalha”, justificou-se Acais Serão, presidente da Liga de Barcarena, responsável por montar o time de Barcarena. Jayme, Bruno Oliveira, Chistian Fernandes, Reis, Welligton e Ró foram os autores da goleada. Ró, por sinal, conseguiu marcar o seu primeiro gol com a camisa azul-marinho. Na hora da comemoração, o jogador se ajoelhou, agradeceu e ganhou um abraço coletivo de quase todo o grupo. “Vai dar tudo certo daqui pra frente, vou marcar mais gols. Estou aliviado porque todos sabem da minha luta em superar lesões. Graças a Deus, os companheiros nunca perderam a confiança em mim”, disse o atacante ao final da partida, visivelmente emocionado e com um algodão no nariz devido um baque que sofreu durante o jogo. Assim, foi a história do sétimo amistoso do Leão, que assim como seu Edson, segue na batalha, seja dentro das quatro linhas ou na rotina do dia a dia. “Estamos aqui na luta da vida”, disse Edson.
FILHO DA TERRA
A felicidade também era do goleiro Lino. Natural de Barcarena, o terceiro goleiro entrou em campo aplaudido. “Fazia dois anos que não jogava aqui”, disse. (Diário do Pará)
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