No início de 2008 a edição do BOLA publicou um caderno especial nomeado de Coquetel anticrise do futebol paraense, com uma série de reportagens especiais sobre aquele momento dos clubes, sobretudo a dupla Re-Pa, já que o Clube do Remo acabara de ser rebaixado para a Série C e o Paysandu sequer tinha divisão. As matérias apontavam os maiores erros das administrações de Leão e Papão, tinham como foco principal nortear os dirigentes sobre o que estava acontecendo e o que poderia ocorrer, caso insistissem em algumas ações.
Hoje, quase quatro anos depois, os profissionais que participaram daquela crítica lamentam que o futebol paraense tenha regredido ainda mais. “Fizemos uma análise da situação dos clubes e a política errônea de contratações. Mostrávamos onde estávamos e para onde poderíamos ir, mas como houve uma repetição dos mesmos erros, o futebol paraense não evoluiu”, explica o comentarista da Rádio Clube do Pará, Carlos Castilho.
Alguns especialistas, ex-jogadores e outros comentaristas também expuseram suas opiniões e deram sugestões em prol da melhoria do futebol paraense, que um ano antes da publicação, em 2007, havia acompanhado a pior campanha do Paysandu numa competição, quando os bicolores não passaram da primeira fase da terceirona. Já no final daquela temporada, para piorar, o Remo ainda foi rebaixado da segunda divisão. “A ideia era tentar apontar possíveis soluções para os clubes saírem do buraco, fazer os dirigentes refletirem sobre o caminho que adotaram nos últimos anos. O caderno especial foi publicado para fazê-los refletir sobre como jogam dinheiro no ralo, como administram mal”, destaca um dos editores do BOLA na época, o jornalista Fernando Alves.
O jornalista conta que o caderno especial foi bem elogiado na época, mas na prática, pouco ajudou a alertar os dirigentes. Se naquele tempo o Pará já sofria com o insucesso de Leão e Papão, atualmente, então, a realidade é ainda mais preocupante. “A cabeça dos dirigentes não muda. Agora, que a torcida ainda deu uma esfriada, a situação ficou ainda pior. Mas, quem sabe um dia aparece na dupla Re-Pa um gestor como o Luís Álvaro, presidente do Santos. Pode demorar décadas, mas é possível”, acredita.
Fernando Alves revela ainda que acreditava no sucesso da gestão Amaro Klautau à frente do Remo, mas logo depois mudou de opinião. Para ele, o grande problema continua sendo a gestão. “Os clubes são deficitários, podem ser superavitários, mas faltam noções básicas de gestão e administração”. (Diário do Pará)
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