Foram treze anos dentro das quatro linhas. Durante este período ele atuou pelo Time Negra, Clube do Remo, Paysandu, Sport Belém, Moto Clube (MA), Rio Negro (AM) e Tuna Luso. Antônio Borges da Costa, o Tuíca, defendeu as cores das maiores forças do futebol paraense entre as décadas de 1960 e 70. Depois de ter pendurado as chuteiras, um problema na garganta quase lhe tirou a vida, mas atualmente, aos 62 anos, completados ontem, o ex-atacante dirige uma escolinha de futebol em Bragança, sua cidade natal. Com cerca de cem alunos e muitas dificuldades para avançar com o projeto, ele carrega a esperança de revelar novos talentos há quase trinta anos.
A carreira de Tuíca começou em no final dos anos 60, no Time Negra de Bragança, local onde vive com a esposa e três filhos. De lá, ele saiu para o Clube do Remo, atuou na equipe que conquistou o Campeonato Nacional Norte-Nordeste, em 1971. Com a camisa do Paysandu o ex-jogador passou mais tempo, inclusive encerrou a carreira pela Curuzu. Nos seis anos em que atuou pelo Papão ele ganhou três títulos estaduais, ajudado também pelos cuidados com o preparo fora de campo. “Nunca tive nenhuma lesão séria. Quando caía, eu levantava, não era de fazer corpo mole, não”, diz.
O porte físico avantajado lhe rendeu dois apelidos, Tuíca peito de aço e Tarzan. Apesar da postura, o ex-atleta tinha a mobilidade como um dos seus pontos mais fortes. “Eu era um atacante de muita velocidade. Muita gente sabe que eu não era um cara técnico, mas quando o Tuíca botava na frente, meu amigo, dificilmente o zagueiro parava”, lembra. Tuíca atuou junto com outros atletas que, assim como ele, também marcaram a história do futebol paraense, como Patrulheiro, Dias Renato, Nad, Samuel Cândido, Quarentinha, Bira, Aldo, Alcino, Mesquita, Edilson Delegado, Jorge Baleia, François Thin, Robilota, entre outros.
Já ao final da carreira, no início dos anos de 1980, Tuíca passou por um dos momentos mais difíceis da vida. Uma espinha de peixe ficou presa na garganta do ex-jogador por aproximadamente seis meses sem que nenhum médico solucionasse o problema. “Fui comer aquelas sardinhas de espeto, então eu era acostumado com aquilo, só puxava a espinha e comia, mas na primeira bocada eu senti que ela entrou na garganta. Como ninguém conseguiu resolver aqui em Bragança, o Ricardo Rezende mandou me buscarem para ir a Belém. Se isso não tivesse acontecido, hoje eu nem estaria mais aqui”, acredita Tuíca.
Depois de ter superado o problema, o cidadão bragantino decidiu criar uma escolinha de futebol, que já existe há 29 anos, mas enfrenta uma série de barreiras. “Falta dinheiro para nivelar (o campo). Se o poder público me ajudasse, viria aqui e nivelava para mim. Eles podiam olhar com um pouco mais de atenção para a gente, principalmente aqui, a minha escolinha”, apela, apontando para o local, conhecido como estádio Tuicão.
A carreira vitoriosa do ex-jogador está exposta na sala da casa, com várias fotografias daquela época colocadas na parede. Tuíca também guarda um álbum com recortes de jornais com imagens e notícias referentes à fase mais gloriosa da vida dele, em que deixou muitos zagueiros perplexos com sua agilidade pelos gramados paraenses.
(Diário do Pará)
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